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Justiceiros

Após sofrer diversos tipos de violência, Heathcliff, personagem de Emily Bronte em "O Morro Dos Ventos Uivantes", sai em busca de vingança e faz, várias vezes, justiça com as próprias mãos, o que causa ainda mais ódio às personagens já tão conflituosas. Fora da ficção, algo parecido acontece com a sociedade: A violência sofre uma espetacularização e gera pânico, fazendo com que a situação real piore ao criar justiceiros que acreditam que, ao revidar, estão a colaborar com a segurança pública.
O medo se instala pois a mídia mostra uma situação muito pior do que realmente é. Isso porque violência é o tipo de noticia que chama a atenção do público, dando um lucro maior à imprensa marrom, que se preocupa mais com ganhos do que com a qualidade. Com isso, a sociedade do espetáculo, descrita por Guy Debord, se fortalece ainda mais, trazendo notícias cada vez mais dramatizadas, instaurando o pânico entre a população.
Assim, as noticias dramatizadas criam revolta no povo, afinal, sentem-se desprotegidos e inseguros já que os noticiários mostram apenas isso. Dessa forma, tendo em seu interior a noção da máxima Aristotélica de que a justiça é a base da sociedade, muitos resolvem fazê-la com as próprias mãos. Consequentemente, o número de crimes aumenta, visto que o Brasil é um Estado Democrático de Direito, o que faz com que apenas o Judiciário tenha o poder de condenar alguém.
Portanto, fica claro que a vontade de fazer justiça com as próprias mãos é fruto da espetacularização da violência e do medo gerado por isso. Destarte, punir discursos de ódio e apologia à violência em meios de comunicação em massa já reduziria o número de novos justiceiros. ONGs relacionadas à segurança também teriam papel fundamental ao explicar que justiceiros são tão criminosos quanto quem eles combatem. Por fim, Secretários de Segurança Pública deveriam ter maior contato com a população e explicitar seus esquemas de trabalho, mostrando ao público que estão protegidos e não desamparados, diminuindo a vontade de resolver a segurança pública por si mesmo. Afinal de contas, como defende Sartre, qualquer violência é uma derrota. Se Heathcliff soubesse disso, poderia ter sido feliz, e nós também.
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