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Internet e o emburrecimento da sociedade

A música brasileira “Admirável Chip Novo” ilustra o poder de persuasão e de alienação das novas tecnologias, identificado na mudança de normas vigentes, de ideologias e de costumes dos usuários. Esse contexto de transformações apresentado na obra é vivenciado devido à inserção massiva de meios digitais no cotidiano sem o devido condicionamento da população para utilizá-los, tornando-a vulnerável aos malefícios das redes e causando o emburrecimento da sociedade. Tal problemática de uso prejudicial das tecnologias reflete a educação nacional instaurada, além de expor os brasileiros à manipulação presente virtualmente, limitando a liberdade de pensamento desses.


Em primeira análise, é necessário compreender que o despreparo ao lidar com as ferramentas tecnológicas compõe uma estrutura social que remete aos resultados de toda a estrutura educacional do país. Isso porque é atuante, no Brasil, um modelo de educação passiva que carece de mecanismos estimulantes do senso crítico, servindo apenas para a exposição de ideias formuladas, limitando a autonomia de sujeito pensante dos estudantes, os quais tendem a seguir esse comportamento de mero espectador em outros âmbitos sociais, inclusive online. Essa relação apresentada é defendida pelo sociólogo Manuel Castells, o qual afirma que a atuação dos usuários na web depende de seu nível educativo, sendo a educação, então, a base para que o país obtenha proveito das potencialidades da internet. Desse modo, nota-se que o comportamento virtual dos brasileiros, caracterizado pela busca por entretenimento, por informações superficiais e pela submissão, revela as carências de um modelo pedagógico atuante, porém ultrapassado.


Ademais, a falta de uma conscientização digital expõe os cidadãos a maiores riscos de alienação pelas redes sociais, pois esses creem numa liberdade de escolha, a qual é limitada no ambiente online. Isso ocorre devido à atuação dos algoritmos na web, os quais controlam o fluxo e o teor de informações, com o objetivo de massificar o consumo e de homogeneizar as opiniões em favorecimento de grupos de influência, obtendo maior sucesso entre aqueles que desconhecem essas pretensões e, inconscientemente, envoltos numa bolha social digital, compactuam com esses interesses. Essa problemática pode ser relacionada ao conceito de “Ideologia” para Karl Marx, definida como uma falsa consciência criada na população para manter o sistema vigente e a dominação de uns grupos sobre outros. Assim, é possível compreender que quanto mais alheia e desinformada é a sociedade, melhor para quem deseja controla-la, especialmente por meio de uma ferramenta que faz isso de modo sutil e ao mesmo tempo profundo: a internet.


Observa-se, portanto, que os cidadãos modernos, por carecerem de estímulos a sua autonomia intelectual, submetem-se aos meios tecnológicos como apenas receptores de informações, nem mesmo controlando o teor dessas, gerando uma tendência ao emburrecimento coletivo. Dessa forma, é necessário que o MEC, em auxílio do Ministério da Tecnologia, insira os meios digitais de forma efetiva e prática na rotina escolar, tornando a educação digital e os debates éticos e críticos acerca da era tecnológica obrigatórios em instituições públicas e privadas. Esse assunto será abordado por diversas disciplinas e com o uso de recursos disponibilizados, como tablets e computadores. Assim, pretende-se diminuir os males causados pelas redes online, como seus efeitos ilustrados na obra musical, por meio da efetiva instrução de seus usuários.

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