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Impactos do Agronegócio na saúde

O Brasil vem aumentando ano após ano o número de agrotóxicos registrados. O que expõe a falta de uma política integrada por parte do governo, pois apesar de existirem aumentos significativos nos indicadores de produção, crescem também os números de doenças causadas por intoxicação. E o problema vai além, a autorização de tantos defensivos faz com que pessoas com tendências suicidas tenham uma gama de opções para se envenenar. A população precisa participar mais ativamente do debate e decidir se quer ser envenenada.


Primeiramente, comparando-se os números de agrotóxicos aprovados no Brasil entre os anos de 2015 e 2018, nota-se um aumento de 323,7%. O que vai na contramão de países europeus, por exemplo, que vem numa busca pela diminuição da utilização de defensivos. Fato importante é que na Europa existem entidades civis que lutam ativamente para que haja uma redução no número de agrotóxicos nocivos à saúde. O que se observa no Brasil é o oposto, agrotóxicos proibidos pela União Europeia são os campeões de vendas aqui.


Cabe ressaltar também, que o número de internações no SUS por intoxicação proveniente do uso desses produtos cresceu 18,1% no período citado. Um aumento preocupante tendo em vista que esses venenos podem causar doenças no sistema reprodutor, câncer e distúrbios de comportamento.


Outro ponto importante, é que  ao fazer uma comparação entre os dados de 2015 até pouco depois da metade de 2019, o aumento na aprovação de defensivos agrícolas cresceu 512,2% com uma tendência  de que não pare de crescer, principalmente por que esse número pode ser mascarado por uma queda de 14,09% no número de mortes relacionas com esses venenos, não levando em conta as milhares de pessoas que sofrem, em virtude do contato com os contaminantes, de doenças crônicas e as que tem grande chance de desenvolver um câncer ao longo da vida.


Pontua-se também o número de pessoas que cometem suicídio utilizando agrotóxicos. Dados de 10 anos (2007-2017) mostram que quase 16200 pessoas tentaram tirar a própria vida ingerindo os mesmos. O que é facilitado pelo fato dos produtos serem letais, legalizados e de fácil acesso.


Por fim, a dificuldade em se mudar essa cultura nas lavouras brasileiras vem dos preços mais elevados dos produtos orgânicos, fazendo com que as famílias, principalmente as de renda mais baixa, não tenham outra alternativa senão fazer o consumo de produtos contaminados. E há também uma resistência por parte dos governantes, tendo em vista que produtos orgânicos tem um custo mais auto e as possibilidades de perdas são maiores, isso em um país que tem o setor agropecuário como principal motor.


Como o executivo vem autorizando cada vez mais agrotóxicos, cabe ao judiciário e ao legislativo, promover e julgar leis que impeçam a utilização dos defensivos que comprovadamente sejam, ou são prejudiciais à saúde. Entidades civis devem pressionar o executivo, para que as leis sejam sancionadas e a respeito de um maior investimento em empresas como a Empresa brasileira de pesquisa agropecuária (Embrapa), para que formas não nocivas de combater as pragas sejam criadas.

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