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Impactos do Agronegócio na saúde

Como herança da década de 60 da chamada ''Revolução Verde'', movimento de utilização massiva de agrotóxicos numa vertente de modernização da agricultura mundial, o uso de componentes químicos na agroprodução ganhou uma reputação difícil de mudar. No Brasil, o uso dos defensivos agrícolas vem sendo discutido em esferas governamentais, visto que, apesar do aumento de produção agrária, esses produtos vêm causando sérios problemas à saúde e ao ambiente, sendo necessário uma análise criteriosa quanto à sua utilização.


Segundo a ANVISA, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, um terço dos alimentos consumidos diariamente no Brasil estão contaminados por agrotóxicos, e dentre esses, 28% apresentam componentes não autorizados ou em quantidades que excedem o limite permitido. Ironicamente, esses produtos são os mais consumidos pela população, seja pelo baixo custo ou pela conveniência. Ainda nesse contexto, a bioacumulação, nome dado à assimilação e retenção de substâncias químicas do ambiente pelos organismos, têm causados graves problemas à saúde, uma vez que, o alto poder residual dos componentes utilizados nos agrotóxicos não tem seu tempo de decaimento respeitado, resultando em alimentos contaminados na mesa do cidadão brasileiro. Diante disso, o temor suscitado pela utilização de agrotóxicos merece destaque, visto o poder aniquilador do mesmo. 


Por outro lado, não restam dúvidas da necessidade do uso de agrotóxicos. O controle biológico de pragas é um exemplo de aplicação pacífica dos defensivos agrícolas, de tal maneira que permite a produção de culturas em ambientes desfavoráveis, refletindo positivamente na renda dos agricultores. No entanto, a utilização desses componentes gera uma dependência, visto que a escassez de nutrientes no solo decorrente do uso de agrotóxicos, obriga o produtor a utilizar adubos químicos. Em outras palavras, o consumo de fitossanitários tornou-se uma considerável atividade econômica, visto que as grandes empresas produtoras desses, em conjunto com os grandes produtores rurais praticam o lobby sobre o governo pressionando-o pela liberação do uso desses componentes químicos.


Sendo assim, buscar formas de controle do uso de agrotóxicos é um grande desafio. Para combatê-lo são necessárias alternativas concretas que tenham como protagonistas o Estado, a escola e a mídia. O Estado deverá elaborar projetos de lei que visem estabelecer limites de concentração química dos fitossanitários, além de aumentar a fiscalização nas empresas que comercializam esses produtos, com o intuito de diminuir a presença desses na alimentação dos indivíduos. A escola deverá conscientizar os alunos ao consumo de alimentos saudáveis, esclarecendo os riscos do consumo de produtos contaminados por agrotóxicos. A mídia deverá veicular propagandas com notas de repúdio às grandes empresas e produtores rurais que visam apenas o lucro não considerando os desgastes dos recursos humanos e naturais. Pois, somente assim, poderemos conviver em um país saudável.

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