O CUPOM VOUPASSAR35 É VÁLIDO POR: dias horas minutos segundos

Imediatismo da sociedade moderna e a dificuldade em lidar com as frustrações

          O paradoxo das vontades foi o objeto de estudo para o filósofo prussiano, Arthur Schopenhauer, que desenvolveu uma análise crítica sobre o comportamento humano quando este se torna refém de seus desejos. Nesse sentido, ele observou que a vontade não possui limites, ela constitui a essência do homem, assim como todo impulso gera uma percepção objetificada. Por outro lado, essa perspectiva aliada ao imediatismo das relações humanas hodiernas, possibilitou a ascensão da frustração frente às baixas sofridas pelos indivíduos. Posto isso, duas questões são relevantes para o entendimento do processo e para a tomada de possíveis soluções: o excesso de positividade e a liberdade individual.


          A priori, é importante salientar que o excesso de positividade exercido pelas pessoas, é o principal fator que leva à frustração. No livro Sociedade do Cansaço de Byung-Chul, é feita uma observação sociológica acerca do processo, demonstrando por fatos e opiniões a necessidade individual de acreditar que seus desejos vão se realizar e como isso influencia na decepção singular. Por certo, em demasia esse aspecto é prejudicial, criando uma noção de pós-verdade inerente ao ser, que pode ser observada, principalmente, em estudantes que vivem dentro de uma maior rigorosidade dos estratos sociais. Prova disso, foi o suicídio de 23 jovens na Índia após serem reprovados em um vestibular.


          Além disso, a liberdade no processo de escolha exercida na sociedade brasileira impacta a confiabilidade das pessoas. Segundo a filosofia existencialista Sartreana, o homem está condenado a ser livre e escolhas equivocadas geram sua angústia. Sob tal óptica, aqueles que passaram por processos seletivos visando apenas uma ascensão financeira, estão mais propícios ao desenvolvimento da insatisfação, que posteriormente pode dar origem a depressão. Simultaneamente, a volatilidade das relações interpessoais frente à modernidade afeta drasticamente esse fato, já que a necessidade de se manter financeiramente para ter suas vontades saciadas de imediato impede a troca de posição na maioria dos casos.


          Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Logo, cabe ao Ministério da Educação (MEC) associado ao Ministério da Saúde (MS), a criação de um projeto anual aberto nas escolas que integre as relações sociais com as questões da saúde mental. Para isso, o MS deve disponibilizar profissionais especializados que possam dar palestras, informando a necessidade de saber controlar as expectativas como resposta à frustração que o imediatismo impõe na sociedade. De maneira análoga, professores de filosofia e sociologia devem participar das palestras indicando referências bibliográficas que possam ajudar a entender o problema. Dessa forma, será possível estabelecer a equidade nesse caso.

Ver todas as redações Corrija suas redações com a nossa plataforma! Clique aqui!