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HIV na terceira idade

O escritor irlandês Bernard Shaw ponderava ser a vida muito curta para refletirmos a respeito dos fatos os quais não fossem realmente significativos, e poucos assuntos são mais relevantes do que a discussão sobre os casos de HIV na terceira idade. Isso faz fomentar um debate social acerca desse tema, e torna-se necessário analisar o entrave histórico cultural que coíbe a discussão sobre a sexualidade e as consequências de tal postura negligente.


Segundo Jean Gorinchteyn, médico e autor do livro “Sexo e Aids depois dos 50” ignorar a sexualidade dos idosos chegou a atrapalhar a sociedade médica em diagnósticos, pois quando os casos começaram a aparecer, em 1996, a sexualidade dessa população não era nem considerada. Doenças do próprio envelhecimento acabavam escondendo o HIV. A avaliação de pneumonias — um dos sintomas — entre idosos e jovens pode ser usada como um exemplo. Nos mais experientes, a doença seria justificada pela saúde frágil e mudança climática, enquanto nos jovens, o quadro causava estranheza e era investigado. A cada ano, é observado um número crescente de casos de HIV entre os idosos; de 2007 a 2017, os diagnósticos cresceram sete vezes, na casa dos 657%. Embora hoje a medicina e a ciência apresente tratamentos eficientes para o controle da doença, os dados são preocupantes para a saúde pública.


Outro ponto relevante, nessa temática, é a influência histórica que a igreja tem sobre a sociedade, inclusive, no modo como é visto o tema sexo, faz com que o assunto seja pouco debatido na esfera social. Isso acaba retendo informações que deveriam ser compartilhadas com todos, inclusive com a terceira idade; que cada vez mais é estimulada a vivência da sexualidade e de uma vida mais ativa e produtiva. No entanto, parte deste público ignora os cuidados básicos para práticas sexuais seguras, seja por falta de informação, ou, em alguns casos, não acredita que em determinada idade poderá ser contaminado. Dessa forma, uma mudança nos valores da sociedade é imprescindível para transpor barreiras à construção e promoção da educação sexual em todas as eferas, uma vez que a sexualidade, as medidas preventivas e as campanhas de conscientização não são direcionadas ou discutidas para este público.


Torna-se evidente, portanto, a necessidade de se discutir a questão e o papel do governo e da mídia
nessa realidade. Em primeiro lugar, o governo deve investir em campanhas midiáticas em locais públicos e nas mídias sociais que ajudem a desconstruir o preconceito acerca da sexualidade na terceira idade, estimular mais ainda o uso de preservativo, já que o sexo desprotegido é o principal meio de transmissão do vírus nessa faixa etária. Associado a isso, o Ministério da Saúde deve oferecer meios para que os postos de saúde dos municípios, assim como fazem com os casos de hipertensos, promovam palestras e debates com enfemeiros e médicos infectologistas, para que esclareçam os reais perigos desta patologia, a fim de que o tecido social brasileiro se desprenda de certos tabus e não viva realidade das sombras, assim como na alegoria de Platão.

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