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Gordofobia e o culto ao corpo padrão

     Na música "Garota de Ipanema", o cantor e compositor Tom Jobim presta uma homenagem ao corpo perfeito da modelo brasileira Helô Pinheiro. Tal fato está vinculado a uma reprodução do ideal cultural de beleza vigente, uma vez que privilegia os padrões corporais de uma modelo e , de modo consequente, expressa o viés gordofóbico arraigado na sociedade brasileira. Nesse cenário, percebe-se a configuração de uma grave problema social de contornos específicos, o qual é perpetuado pela  cultura do patriarcado e pela insuficiência legislativa. 


      Convém ressaltar, a princípio, que a dominação masculina nas várias instituições sociais, como na política, na econômica e na familiar é o fator primordial para a manutenção da problemática. De acordo com a "Teoria do Habitus", esboçada pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu, a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos pelos próprios indivíduos. Dessa forma, evidencia-se uma clara relação entre o predomínio dos desejos masculinos e a subserviência feminina, haja vista que o estereótipo corporal é imposto às mulheres pelo pensamento machista.


       Em segundo plano, vale salientar que a conjuntura legislativa insuficiente permite a propagação do preconceito corporal e da gordofobia no antro social. Tal situação corrobora a teoria da " Banalidade do Mal", defendida pela filósofa política Hannah Arendt, uma vez que tais práticas são formas de violência que passam despercebidas na sociedade. Desse modo, é imprescindível que o Estado desenvolva projetos legislativos com o intuito de inibir tais práticas e resguardar o direito à dignidade dessas pessoas.


         Fica claro, portanto, que medidas são necessárias para combater à cultura do corpo padrão e da gordofobia. Para tanto, cabe às instituições de ensino criar oportunidades de reflexão - como feiras, palestras e simpósios-, as quais contribuam com a efetiva discussão a respeito da importância do empoderamento do corpo feminino, a fim de que esta forma de preconceito seja erradicada. Ademais, cabe ao Governo Federal, na figura do Ministério da justiça, criar leis e criminalizar tais práticas com a finalidade de propiciar a igualdade e a dignidade para todas as mulheres. Só assim, a sociedade brasileira tornar-se-á livre do cárcere do padrão estético.

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