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Gordofobia e o culto ao corpo padrão

Os desafios de aceitar o próprio corpo


            A obra “Homem Vitruviano”, de Leonardo da Vinci, revela como a busca incessante pelo corpo perfeito percorre a história da humanidade. A perpetuação desse comportamento, no entanto, mostra-se nociva para pessoas consideradas acima do peso, uma vez que acentua a problemática da gordofobia. Nesse contexto, nota-se a influência das redes sociais na propagação de um padrão estético, além da normatização de práticas discriminatórias.


            Inicialmente, convém analisar o papel das redes sociais na padronização do corpo humano. A ascensão dos influenciadores digitais fomentou o padrão estético do corpo magro, induzindo pessoas a se sentirem mal por não possuírem tais características. Apesar disso, muitas das fotos veiculadas nos meios de comunicação apresentam padrões de beleza ilusórios, em que imagens de celebridades são manipuladas em programas de edição. Consequentemente, os usuários se frustram ao não atingirem a mesma aparência vista nessas plataformas. Segundo o Instituto de Saúde Pública do Reino Unido, em uma pesquisa realizada com cerca de 1500 pessoas, 70% revelaram que as redes sociais afetam, negativamente, a forma com que enxergam a sua própria imagem.


           Ademais, a gordofobia alicerça-se sobre as práticas discriminatórias, as quais são transmitidas por gerações, evidenciando a banalização da problemática. A filósofa Hannah Arendt, em sua teoria “Banalidade do Mal”, defende que um comportamento passa a ser realizado, inconscientemente, a partir da normatização dessas situações. Em paralelo a essa ideia, a gordofobia é perpetuada, como revela um estudo do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE), ao afirmar que esse preconceito está presente na rotina de 92% dos cidadãos.


         Portanto, é fundamental que o Estado tome medidas para mitigar o impasse. Cabe ao Ministério da Educação, mediante verbas governamentais, ministrar palestras em escolas e universidades a fim de desconstruir comportamentos discriminatórios contra indivíduos, unicamente em função do seu porte físico. Além disso, é função das plataformas digitais, por meio da veiculação da mídia, evidenciar a manipulação das imagens publicadas, de forma a minimizar o estereótipo do corpo ideal. Assim, será possível mitigar os impactos da idealização do corpo perfeito e combater a “Banalidade do Mal”.

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