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Gordofobia e o culto ao corpo padrão

                    No filme norte-americano, “O amor é cego”, é retratado uma realidade distópica onde um homem é enfeitiçado para somente enxergar a beleza interior das pessoas. Com essa perspectiva, o personagem se apaixona por uma mulher que, aos seus olhos, era vista com um corpo “ideal”, o qual não se mostrava fidedigno a sua real imagem, de uma pessoa obesa, evidenciando que o mesmo não poderia estar com ela se a enxergasse sem a óptica do feitiço. Fora da ficção, várias pessoas expressam o mesmo pensamento do personagem, fomentando um forte preconceito com quem não se encaixa nos padrões sociais, influenciando, de forma negativa, a saúde mental e a vida de grande parte da população.


                     Em primeiro lugar, é importante destacar como os padrões impostos pela sociedade codificam diversos problemas para a saúde de toda uma geração, criando uma sociedade frustrada e infeliz com o próprio corpo. Essa problemática, se solidifica no momento em que somente pessoas magras e com corpos estruturais são cultuadas, em revistas, filmes e televisões perpetuando a imagem que gordos são compulsivos, fracos, bobos, representados de maneira caricata e degradante. Nesse enfoque, inicia-se uma luta constante pelo “corpo perfeito”, com atividades físicas excessivas, alimentação restritiva e uso de medicamentos, muitas vezes prejudiciais a vida dos seres humanos. Em virtude dessa realidade, o preconceito com quem está acimo do peso ‘ideal’, é intensificado e diversos imbróglios a saúde mental são enfrentados por esse grupo.


                         Por conseguinte, presencia-se diversos impactos devido a gordofobia realizada na contemporaneidade. Em consonância com a filósofa Hannah Arendt, pode-se considerar a diversidade como inerente à condição humana, de modo que os indivíduos deveriam estar habituados à convivência com o diferente. Todavia, o preconceito direcionada a pessoas gordas, por serem consideradas doentes, relaxadas e sem perseverança para conquistar o que almejam, dificulta a vida destes, que passam a ter a problemas profissionais e de convivência, vivendo com o sentimento de exclusão, menosprezo e inferioridade. Esse cenário dificulta o exercício da convivência com a diferença, conforme defendido por Arendt, o que reforça intransigentes como a discriminação.


                           Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para a conscientização da população brasileira a respeito do problema, urge que o Ministério do Trabalho, crie, por meio de assembleias nas câmaras políticas, projetos de leis que façam as empresas criadoras de conteúdo inserir as pessoas gordas em campanhas, filmes e programas televisivos de uma forma não pejorativa, expressando a realidade desses, sem diminui-los por seu aspecto físico. Somente assim, será possível combater a visão deturbada de incapacidade sobre indivíduos acima do peso e, ademais, produzir o sentimento de respeito as diferenças defendido pela filósofa Arendt.

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