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Gordofobia e o culto ao corpo padrão

 Promulgada pela Organização das Nações Unidas, em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) garante a todos os indivíduos o direito à igualdade e ao bem-estar social. Entretanto, o fato de existir um padrão de estética corporal opressivo na sociedade brasileira, dificulta a autoaceitação individual e a efetivação das seguridades previstas. Nesse sentido, há fatores que impulsionam esse problema, como a incentivo para o corpo perfeito e o falso significado da palavra gordo.


 Primeiramente, a sociedade persiste e incentiva a busca pelo corpo perfeito, principalmente o feminino, sendo claramente notável em alguns comerciais, como o da Itaipava, com mulheres consideradas “atraentes” por estarem dentro do padrão estético. Entretanto, segundo o Ministério da Saúde, 55,7% da população brasileira está acima do peso, demonstrando, assim, que a realidade é totalmente diferente. Devido isso, mesmo que a maior parte dos cidadãos estejam gordos, não há incentivos para o desenvolvimento da autoaceitação, pelo contrário, estar acima do peso ainda é visto de modo negativo, repulsivo e pouco atraente. Por fim, esse pensamento preconceituoso permanece enraizado nas pessoas, construindo um obstáculo para os indivíduos que desejam se amar por completo.


 Paralelamente, a sociedade, ainda hoje, utiliza a palavra gorda para representar situações indesejadas, seja para criticar alguém ou a si mesmo. Então, naturalizou-se, nas pessoas, o relacionamento de desprezo com esse adjetivo, como no caso da atora Alicia Silverstone, que foi chamada de gorda pela imprensa após participar do filme “Batman & Robin” e ficou abalada emocionalmente. Percebe-se, então, a necessidade de ressignificar isso, retirar do senso comum a normalização de relacionar o gordo com a feiura, a doença e o xingamento, para colocar um fim em atitudes preconceituosas. Como dito pelo escritor estadunidense Edgar Allan Poe, “É de se apostar que toda ideia pública, toda convenção aceita seja uma tolice, pois se tornou conveniente à maioria”.


  Fica evidente, portanto, que é necessário combater essa problemática. Em virtude disso, urge que o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação, desenvolva e distribua, mensalmente, livros e histórias em quadrinhos para as escolas públicas e particulares, uma vez que os jovens possuem afinidade por essa literatura; com assuntos que trabalhem com a ressignificação da palavra gordo e o combate à imposição de um padrão estético. Destarte, pode-se iniciar o combate à gordofobia ainda no início da juventude e evitar o seu desenvolvimento na atual e em futura gerações, garantindo, dessa forma, os direitos previstos na DUDH.

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