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Gordofobia e o culto ao corpo padrão

No livro "Extraordinário "de Raquel Jaramillo, é retratada a história de um garoto de apenas dez anos que percebe os olhares curiosos e as reações quase nunca disfarçadas das pessoas que cruzam com ele. Nesse sentido, a narrativa foca na trajetória de Auggie, que nasceu com uma deformação fácil causada por uma síndrome genética que o faz ser diferente das outras pessoas, fugindo do “padrão estético” proposto pela sociedade. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada por Jaramillo pode ser relacionada ao mundo preconceituoso do século XXI: gradativamente, a gordofobia e a necessidade de um corpo ideal corroboram para a imposição social e para o sentimento de aceitação do indivíduo, preso em uma grande bolha sociocultural.


Com efeito, o físico alemão Albert Einstein abordou sobre o perigo da discriminação, ao afirmar que é mais fácil desintegrar um átomo, unidade básica da matéria,  do que o próprio preconceito. Isto é, não se trata apenas da análise a saúde física da sociedade em cima de pessoas que estão acima do peso, mas da vigilância e do julgamento imposto diante da conjuntura estética de cada cidadão. Isso posto, para além de coibir a liberdade e pluralidade, descaracteriza um dos objetivos a que se refere o artigo 3° da Carta Magna: construir uma sociedade solidária.


Somado a esse viés, é indispensável salientar os complexos gerados nas vítimas da gordofobia, que sofrem com piadas e xingamentos por intolerantes. Dessa forma, a cegueira moral, fenômeno exposto por José Saramago, em sua obra “Ensaio sobre cegueira”, corresponde bem ao efeito negativo na saúde psicológica da pessoa mediante a construção social de estereótipos, quando a alienação gerada pelos meios de comunicação midiática é capaz de “fazer cegar” toda a diversidade de um povo. Essa conjuntura injusta, além de ser intensificada majoritariamente por conta da carência de políticas públicas efetivas que incentivem uma liberdade de expressão e posicionamento, ainda fere lamentavelmente o princípio da equidade social.


Dessa feita, faz-se necessária a tomada de medidas atenuantes ao entrave abordado. Assim, concerne ao Estado, mediante os Ministérios da Educação e Ciência e Tecnologia, a criação de um plano educacional que vise combater a intolerância mediante os padrões de beleza impostos. Tal projeto deve ser instrumentalizado tendo em vista o incentivo de alunos a programas educacionais e rodas de debates, com a promoção de palestras e aulas práticas sobre supervalorização da estética, mediadas por psicólogos e professores da área, objetivando a valorização social. Feito isso, os cidadãos em processo de formação poderão construir uma sociedade que se opõe a gordofobia e o culto ao corpo perfeito e, consequentemente, estourar a bolha que, assim como foi construída em  “Extraordinário”, está sendo construída com cidadãos do século XXI.

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