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Falsidade ideológica no Brasil

O jogo da imitação


 


            Um experimento social ocorrido na Bélgica, em 2012, evidenciou os riscos da exposição excessiva na internet. Nele, pessoas aleatórias eram convidadas a falar com uma vidente que, baseando-se nas informações que a própria pessoa publicara nas redes sociais, “espantosamente” acertava na leitura do convidado. De certo, esse experimento chegaria às mesmas conclusões se realizado no Brasil: segundo levantamentos da TIC Domicílios, 70% dos brasileiros têm acesso à internet. Com efeito, tem-se uma enormidade de informações geradas, as quais podem ser usadas, inclusive, para a prática de crimes, sendo o de falsidade ideológica o mais comum em ambientes virtuais.


            É indiscutível que a internet nos trouxe diversas vantagens, dentre as quais a possibilidade de abreviar a distância entre pessoas por ignorar a separação geográfica ao criar ambientes virtuais de convivência – as redes sociais. Não obstante, segundo pesquisa da Comscore, o Brasil é o país mais conectado a redes sociais em toda a América Latina. Por consequência, a disponibilidade de informações pessoais na rede também se avulta, oportunizando a ocorrência de crimes digitais como o de falsidade ideológica, delito este previsto no código penal brasileiro e cujos infratores o consumam para as mais diversas finalidades, das quais uma vez se tornando cada vez mais frequente: pedidos de depósitos financeiros para os contatos em nome da vítima, configurando, também, estelionato.


            Essas práticas, somadas a outros crimes virtuais, amargam, segundo a polícia civil do Distrito Federal, um aumento superior a 300% em crimes de estelionato virtual no primeiro semestre de 2020. O acesso a informações pessoais é, sem dúvida, um fator importante nessa prática criminosa que, geralmente, é acessório ao estelionato. Os mais lesados por esses delitos são, com efeito, os mais idosos. Talvez pela sua falta de desenvoltura para compreender a dinâmica da era digital ou mesmo por uma certa ingenuidade para com seu interlocutor digital, além de serem alvos mais fáceis para criminosos, o número de idosos com perfis em redes sociais passou de 4% para 20%, de acordo com o CGI. Portanto, a falsidade ideológica somada a crimes de estelionato poderão ser manchetes mais frequentes em jornais brasileiros e, portanto, sugere maior atenção das famílias para com as atividades de seus familiares idosos na internet.


            Por fim, devemos nos conformar que estamos em uma era digital e que, com ela, inúmeros comportamentos emergirão, sejam eles bons ou ruins. A prática do crime de falsidade ideológica é um exemplo da miríade de delitos que podem ser cometidos virtualmente. É necessário, pois, uma maior fiscalização dos meios digitais por parte das polícias federal e civil, fazendo uso de programas detectores de atitudes recorrentes – os chamados “bots” – para localizar de modo mais automatizado usuários suspeitos e, daí, seguir para a investigação. Dessa forma, é possível atuar de maneira mais incisiva em crimes de falsidade ideológica no Brasil.


           

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