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Excesso de trabalho e saúde mental

O século XX, marcado pela Terceira Revolução Industrial e pela adoção do neoliberalismo como doutrina econômica, provocou alterações na dinâmica do trabalho, em que o trabalhador deixa de ser massivamente explorado pela fábrica - como no século XIX - e passa a sofrer uma exploração de si próprio, a qual compromete sua saúde geral. Nesse sentido, a ampliação da tecnologia no setor laboral e o individualismo característico da pós-modernidade comprometem a saúde mental do proletariado contemporâneo.


A priori, o surgimento de tecnologias informativas, como a internet corrobora para o excesso de trabalho. Antes, o funcionário era fabril e meticulosamente observado - características da sociedade disciplinar de Michael Foucalt. Hoje, com a expansão do setor terciário e das tecnologias, o funcionário sai da fábrica e trabalha em frente a um computador, objeto este que possibilita maior eficiência, mas, por outro lado, maior cobrança do funcionário, em que este precisa trabalhar, muitas vezes, em tempo integram para cumprir as metas e exigências, deixando de lado sua saúde mental, pois não tem tempo para frequentar psicólogos ou para o lazer.


A posteriori, a individualidade da pós-modernidade agrava o estresse, a ansiedade e a depressão devido o excesso de auto cobrança. A insegurança laboral, o aumento do desemprego e a crise econômica aumentam a ansiedade em relação ao futuro. Com isso, os indivíduos fazem uma auto exploração de si, típica da Sociedade do Cansaço do sul coreano Byung Chul Han, na qual a Síndrome de Burnot, ocasionada pelo trabalho, é a principal doença. Assim, criam-se ansiosos e depressivos que, literalmente, não conseguem desfocar do trabalho e cuidar do mental. 


Nesse sentido, são necessárias mudanças no ambiente trabalhista para que os funcionários possam cuidar da sua saúde mental. Assim, é preciso que o Legislativo crie uma Emenda Constitucional que torne obrigatória a disponibilidade de atendimento psicológico, pelas empresas, para os trabalhadores em regime de carteira assinada, com atendimento mensal, por meio de parcerias público-privadas entre as empresas e os sistemas de saúde, de modo a beneficiar ambos. Pretende-se, com isso, dar apoio especializado para a saúde do trabalhador e minimizar os sintomas de estresse, ansiedade e depressão desencadeados pelo trabalho. Assim, as consequências das mudanças do século passado e da Sociedade do Cansaço serão minimizadas.

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