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Excesso de trabalho e saúde mental

Desde a Revolução Industrial na Inglaterra, com  descoberta do motor a vapor e seu aprimoramento, o homem deixou de ser o eixo principal das empresas e, contudo, adaptou-se para ser mais uma peça sinergista do processo industrial. Logo, aumentou-se a carga horária, o salário, que já era pouco, diminuiu e, por fim, o desgaste físico foi imensurável, tornando-se o homem, o fator limitante para produção da manufatura global. Contudo, a posteriori, com os avanços dos direitos trabalhistas, esse processo escravocrata foi amenizado. No entanto, o desenvolvimento agressivo da tecnologia em quase todos os setores laborais, seja do chão de fábrica assim como nos centros administrativos, permitiu uma nova estrutura consolidada de trabalho que, por seu excesso de funções e demandas, está prejudicando psicologicamente a sociedade.


Segundo a Secretaria de Previdência do Estado de São Paulo, houve o aumento de 52% de auxílio-doença entre 2017 e 2018 por motivos psicológicos atrelados à demanda excessiva de trabalho. Esse aumento reflete no modo como as empresas estão adotando suas políticas de gestões atuais, enxutas, cujo foco é direcionado à otimização de processos e de pessoas, ou seja, uma quantidade menor de trabalhadores capazes de satisfazer diversas funções. Logo, rotineiramente, os colaboradores acabam por fazer mais horas de trabalho que o comum, sendo que, pela facilidade de acesso ao trabalho, ao carregá-lo no seu celular, notebook ou laptop, o indivíduo o continua mesmo após ter saído do seu ambiente laboral e ter batido seu ponto.


Entretanto, por mais amplos que sejam os recursos tecnológicos, como softwares de gestão, controle de dados e de processos empresariais, o estado emocional do trabalhador é intensamente prejudicado pela quantidade de tempo e de funções dispostas a ele no dia-a-dia. Uma pessoa que trabalha mais de dez horas por dia, por exemplo, pelo fato de ser um exercício mental, por muitas vezes não demonstra seu desgaste emocional que, com a periodicidade vai gerando transtornos psicológicos atrelados à insônia, ao estresse e, por fim, à depressão. Ao fim, o indivíduo perde o interesse em na sociedade e em sí mesmo, tornando-se, novamente, em uma peça sinergista de seu trabalho, como no século XVIII.


Infere-se, portanto, a necessidade da ação governamental de fiscalizar essas estruturas de trabalhos que se tornaram rotineiras. Cabe ao Ministério Público do Trabalho criar rotinas de fiscalização nas empresas para saber se os colaboradores trabalham mais do que o admitido por lei, se trabalham em casa e se as empresas dão o devido esclarecimento de suas atribuições. Também, há de se fazer uma maior exigência da especialização da gestão de pessoas, com o reforço psicológico de profissionais da saúde para elaborarem medidas de prevenção dos transtornos atribuídos ao excesso de trabalho. E, por fim, punir, severamente, por meio de valores em moeda corrente, as empresas que desobedecerem as leis trabalhistas em relação às condições e ao tempo de trabalho. Com essas medidas devidamente efetivadas, haverá uma melhora na qualidade de vida desses trabalhadores e, consequentemente, até das empresas, que terão funcionários saudáveis e dispostos a enfrentar os desafios dos seus empregos.

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