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Enfrentamentos da mobilidade urbana no Brasil

Sob a égide do sociólogo Henri Lefebvre, o direito às cidades consiste na prerrogativa de se poder habitar, utilizar e participar da compleição de espaços urbanos inclusivos, democráticos e sustentáveis, sendo substancialmente destacável a liberdade de ir e vir nos termos legais. Contudo, os diversos entraves presentes no deslocamento citadino deturpam tal garantia, em razão de refletirem a ausência de infraestrutura de transportes e de planejamento urbano. Esse cenário desafiador é oriundo da mentalidade social de valorização do automóvel particular, bem como da inoperância estatal em garantir mobilidade de qualidade para todos.


Convém ressaltar, a princípio, que a concepção cultural de desvalorização dos transportes alternativos dificulta a mobilidade urbana. Acerca disso, durante o governo do então presidente Juscelino Kubitchesk, o desenvolvimento do modal rodoviário foi amplamente estimulado, evidenciando o incentivo à aquisição de veículos automotores e à consolidação das indústrias automobilísticas no território brasileiro. Nesse contexto, tal circunstância histórica ainda produz reflexos nocivos hodiernamente, já que, em face da explícita deficiência do senso crítico e da desinformação acerca dos benefícios dos transportes coletivos, ainda se nota uma mentalidade popular que atrela prestígio e status a esses bens de consumo, desconsiderando a necessidade de planejamento da malha urbana. Consequentemente, tal cultura letárgica contribui para a poluição atmosférica ocasionada pela elevada emissão de dióxido de carbono – CO2-, cujas implicações resultam em graves doenças respiratórias, o que compromete, desse modo, o desenvolvimento sustentável e a qualidade de vida de muitos indivíduos.


Outrossim, cabe salientar que a ausência de suporte governamental está intrinsecamente relacionada à precariedade nos traslados urbanos. A esse respeito, no Brasil, a Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU) dispõe que é dever dos gestores públicos planejar o crescimento das cidades de forma ordenada, priorizando os serviços de transporte coletivo. Entretanto, na prática, verifica-se que esse pressuposto não é efetivamente concretizado em muitas metrópoles brasileiras, pois há carência de investimentos no modal metroviário, nos veículos leves sobre trilho (VLTs) e nas ciclovias, por exemplo, além da exiguidade de informes educativos que estimulem a adesão popular a esses meios de locomoção, denotando que a urbe poderia ser melhor aproveitada. Em decorrência disso, configura-se um contexto de amplos congestionamentos, o que corrobora prejuízos financeiros em função do elevado período necessário nos fluxos de mercadorias e de pessoas.


Portanto, ações orquestradas são fundamentais para homogeinizar, de maneira positiva, os espaços urbanos. Nesse interím, compete às instituições formadoras de opinião, como escolas e setores da mídia de amplo alcance, fomentar uma mentalidade de apologia aos transportes alternativos, por meio de simpósios, documentários e séries sobre a temática, os quais sejam capazes de explicitar os prejuízos sociambientais decorrentes da cultura do automóvel, com o fito mitigar adversidades presentes nos traslados urbanos. Ademais, cumpre aos governos municipais e ao federal ampliar alternativas ao modelo rodoviarista, por meio de uma redefinição de prioridades orçamentárias, que viabilize a disponibilidade de mais transportes coletivos e de ciclofaixas para o uso de bicicletas comportalhidas, com o intuito de possibilitar uma vivência harmônica e de qualidade nas cidades brasileiras.

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