O desconto do plano APROVADO EM 2021 termina em: dias horas minutos segundos

ENEM 2020: O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

   A Constituição brasileira de 1988 assegura a todo cidadão o direito a uma vida livre de discriminação. Todavia, na prática, é evidente a ausência desse princípio no Brasil contemporâneo quando se observa a problemática do estigma associado aos indivíduos com doenças mentais no país. Tal cenário ocorre devido à falta de aparo jurídico que defenda a integridade desses doentes somado à falta de disponibilização de informações acerca da recorrência dessas enfermidades e de suas naturezas. Isto posto, faz-se pertinente a reflexão desse contexto, com a intenção de minimizar os empecilhos para a consolidação dos direitos constitucionais.


   A princípio, entende-se que, de acordo com Norberto Bobbio, filósofo italiano, a dignidade é uma virtude que pertence ao ser humano, logo, o combate a concepções ultrapassadas que descrimine doentes mentais deve ser ofertado por parte do Estado. Porém, é incontestável que o poder público faz-se ausente como responsável pelos direitos fundamentais, uma vez que não concede ações voltadas a punir os que segregam e atentam contra a dignidade desses enfermos, que suscita, por conseguinte a criação de um sentimento de inferioridade e insegurança nos portadores dessas doenças. Assim, tal circunstância leva a um agravamento no número de pessoas que não procuram tratamento médico devido ao medo de serem julgadas, como mostra um levantamento da Organização Mundial da Saúde(OMS) que afirma que 5% dos brasileiros sofremde depressão, mas a maioria não procura ajuda. Portanto, é visível a inobservância governamental para sanar esse impasse.


   Ademais, cabe pontuar a influência do baixo conhecimento sobre doenças mentais para à concretização de uma sociedade com mais alteridade e compressão. Nesse sentido, ganha relevância a perspectiva de Oscar Wilde, escrito irlandês, ao defender que o descontentamento é o primeiro passo para evolução social, por isso uma nação precisa de alternativas eficazes para reverter esse cenário de intolerância que prejudica muitas vidas. Fica clara, então, a urgência de mitigar essa adversidade para evitar a perpetuação e naturalização de um estigma pejorativo sobre os mentalmente debilitados.


   Dessa forma, providências são necessárias para resolver essa questão. Logo, cabe ao Governo Federal, mediante debates entre congressistas e a sociedade, discutir que a melhor maneira de se garantir o bem-estar social, e por intermédio de uma ação conjunta do Ministério da Saúde com o Poder Legislativo, que vise criar uma lei que equipare a discriminação dos doentes mentais com os de raça, além de ampliar a verba destinada aos programas de conscientização sobre a recorrência desses problemas em pessoas sadias. Assim, o Brasil se tornará mais justo e coeso, aproximando-se de uma realidade em que nenhum cidadão sofra preconceito por questões de saúde.

Ver todas as redações Corrija suas redações com a nossa plataforma! Clique aqui!