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ENEM 2019 : Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Brás Cubas, o personagem defunto-autor criado por Machado de Assis, diz em suas “Memórias Póstumas” que não teria filhos, a fim de não transmitir nenhum legado da miséria humana. Analogamente, a mudança de mentalidade das corporações, que possuem um preconceito intrínseco, além da consequente desigualdade no acesso aos produtos da globalização, enquadra-se no conjunto de “misérias da humanidade”, uma vez que se constituem como desafios da sociedade a serem superados para mitigar o problema do acesso ao cinema no Brasil. Assim, é necessário discutir os aspectos sociais e políticos da questão, em prol do bem-estar social.


A princípio, vale ressaltar o poder que a história do país possui na conduta das instituições. Consoante à Teoria do Habitus elaborada pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu, a sociedade detém padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos pelos indivíduos. Nessa perspectiva, a República Velha, baseada no favorecimento das oligarquias, perpetuou a mentalidade, nas atuais gerações, de que é normal os mais ricos receberem mais oportunidades. Assim, esse pensamento permite a construção de um país injusto, com desigualdades na distribuição de cinemas no território, que resulta na dificuldade da inclusão social por conta da não inserção na globalização.


Por conseguinte, vale ressaltar a influência que esse pensamento possui nas relações sociais. O cinema é um dos principais produtos da era globalizada, ou seja, seu consumo determina se o indivíduo está ou não inserido no modo de vida atual. Entretanto, no Brasil há pouco mais de 2.000 salas de cinema que estão concentradas no sudeste e nas grandes cidades. Com isso, a desigualdade na distribuição gera problemas na obtenção de cultura nas áreas periféricas, além de reproduzir preconceitos, haja vista que locais não incluídos na globalização são erroneamente rotuladas de "atrasados". Desse modo, deve-se frear a reprodução da teoria de Bourdieu para a resolução do quadro.


É evidente, portanto, que medidas são necessárias para resolver a problemática. Logo, o Ministério da Educação, em parceria com o da Cidadania, deve adicionar à grade curricular do ensino fundamental e médio aulas ministradas por sociólogos, para debater sobre a importância do cinema e de outros produtos globalizados na inclusão social. Ademais, a abordagem deve ser feita com o intuito de, também, explicar a Teoria do Habitus e suas consequências. Para que assim, a próxima geração cresça conscientizada sobre o assunto, além de que lute pelos seus direitos de lazer e cultura, de modo que, na teoria de Bourdieu a sociedade caminhe para perpetuar a mentalidade do igualdade.

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