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ENEM 2019 : Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Em 2019, o filme "Coringa" tornou-se o mais rentável em bilheteria para uma película destinada apenas para maiores de idade, comprovando que o cinema não precisa ser apenas sobre ação e aventura, mas também podem trazer críticas pertinentes sobre a sociedade de seu tempo. No entanto, o cinema brasileiro e sua arrecadação não repetem os mesmos números de Hollywood, este problema ocorre não só pela elitização do espaço geográfico das salas de cinema durante o passar das décadas mas também pelo alto preço dos ingressos e concorrência com aplicativos de streaming, que oferecem mais serviços por um valor menor.
Primeiramente, a mudança na forma em como as salas de cinema foram distribuídas pelo Brasil demonstra uma clara elitização da apreciação da sétima arte. Na metade da década de 1970, eram muito populares no Brasil os cinemas de rua: próximos e baratos, tornaram-se um dos lazeres mais comuns entre a classe média brasileira. Segundo dados da Agência Nacional do Cinema - ANCINE-, apenas 20% das salas de cinema encontravam-se em capitais, sendo o restante destinado apenas às ruas do interior. Entretanto, devido a urbanização acelerada pela qual o Brasil passou entre a década de 1970 e o século XXI , essa forma de lazer também migrou em grande parte para as capitais, mas infelizmente, apenas áreas que concentram maior renda receberam as salas, pois devido a expansão do modelo de shoppings centers, ficou economicamente mais viável para que as redes de cinemas se instalassem apenas nestes locais, o que evidentemente segregou e elitizou a forma como o cinema deveria ser consumido, excluindo pessoas com baixa renda e diminuindo o número de salas em aproximadamente 30% comparando 2019 com a metade da década de 1970, ainda segundo dados da ANCINE.
Outrossim, devido a esta elitização do espaço geográfico das salas, o ingresso ficou mais caro. Desta forma, inovações tecnológicas como "Netflix" e "Amazon Prime" foram criadas para suprir esta demanda, uma vez que gastos com: deslocamento até a sala, o consumo de alimentos -inflacionados pela elitização do espaço onde estão sendo vendidos- corroboram ainda mais para elitização e afastamento de possíveis consumidores. Em 2019, apenas 17% dos brasileiros vão com frequência ao cinema, comprovando a falta de hábito da sociedade brasileira em ir ao cinema, aliado às novas facilidades tecnológicas que fazem com que a ida ao cinema perca o sentido.
Portanto, é evidente que mudanças devem ser feitas para que o problema seja resolvido e as salas de cinema possam ter sua função social reestabelecida. O Congresso deve criar a Lei da Gratuidade no cinema para estudantes de baixa renda -que recebem algum tipo de auxílio da faculdade- possam criar o hábito de frequentar as salas já na primeira infância. Adeptos do ID Jovem também deve ser favorecidos por esta Lei e terem gratuidade total no cinema, extinguindo, portanto, a Lei da Meia Entrada. Desta forma, quem tiver condições financeiras para pagar o ingresso, continuará remunerando as empresas donas dos cinemas, e os jovens de até 29 anos comprovadamente de baixa renda poderão internalizar o hábito de apreciar a sétima arte, tendo acesso a críticas reflexivas sobre a sociedade de forma interativa, como é o exemplo de "Coringa".

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