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ENEM 2019 : Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Segundo o sociólogo francês Émile Durkheim, célebre teórico do Período Oitocentista, a sociedade é análoga a um corpo biológico, porque assim como esse, é formada por elementos que interagem entre si. Dessa forma, para que esse organismo opere perfeitamente, é necessário que todas as partes estejam em harmonia. No entanto, na conjuntura contemporânea, as questões relacionadas à democratização do acesso ao cinema no Brasil configuram-se um fragmento desarmônico. Nesse sentido, dois fatores destacam a problemática: a desigual distribuição do parque cinematográfico do país e a reduzida parcela populacional que faz uso desse meio de entretenimento. Assim, faz-se necessário analisar e buscar meios de alterar esse cenário.


Inicialmente, é válido atentar-se ao fato de que a distribuição de salas de cinema no território brasileiro ocorre de forma concentrada e que exclui pequenas e médias cidades interioranas. Em relação à isso, São Tomas de Aquino discorre que em sociedades democráticas todos devem ter acesso a benefícios de maneira igualitária. Entretanto, tal perspectiva não se ratifica quando observa-se o acesso à redes cinematográficas, o que caracteriza, de acordo com Dahrendorf, uma condição de anomia, estado em que as normas sociais deixam de validar-se. Diante disso, é notória a necessidade de atitudes para superar essa mazela em solo tupiniquim.


 Além da insuficiente distribuição do parque cinematográfico, também é oportuno analisar o baixo percentual de indivíduos que frequentam salas de cinemas no contexto brasileiro – cerca de apenas 17% da população-. Nesse viés, pode-se citar como uma das forças motrizes do problema a falta de incentivo a utilização das redes cinematográficas, que tem como consequência o não interesse por usufruir desse instrumento de entretenimento. Acerca disso, Pierre Bourdieu discorre que mecanismos que foram criados com intuito democratizante, como exemplo, os cinemas, não devem ser utilizados de forma segregacionista como ocorre hodiernamente. Dessa forma, é indispensável a dissolução da problemática.


Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para que o acesso ao cinema no Brasil deixe de ser problema. Para tanto, é necessário que a díade Estado e Mídia trabalhem em conjunto. É mister que o Estado, que para Aristóteles é o provedor de bem estar social, fomente a ampliação das redes cinematográficas por meio do direcionamento de impostos com o fito de que a desigual distribuição das salas de cinema seja superada. Ademais, compete à Mídia, que para Chomsky é grande influenciadora comportamental, incentivar a utilização da rede cinematográfica por meio de propagandas televisivas com o objetivo de que a parcela populacional que os frequenta seja ampliada. Somente assim, observar-se-á o corpo social operar harmonicamente como na premissa de Durkheim.

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