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ENEM 2019 : Democratização do acesso ao cinema no Brasil

                                                                              Apenas teoria


        Em 2019, houve o lançamento do filme “Bacurau”, cuja história se passa em uma pequena cidade nordestina e possui como elenco substancial parte da população local. Entretanto, mesmo com tamanha visibilidade a partir da obra, ainda persiste a inércia em ofertar acessibilidade ao cinema de maneira homogênea nas áreas periféricas do Brasil. Com efeito, esse impasse é maximizado devido à restrição econômica presente no meio cinematográfico e à imobilidade social em reinvidicar pelo direito ao lazer.


       Sob um viés inaugural, desde sua criação, a arte cinematográfica possui como principal foco atingir as altas camadas econômicas da sociedade. Nesse sentido, na França, durante a transição para o século XX, ocorreu uma fase denominada Belle Epóque, cuja principal característica era a criação de áreas de entretenimento- como restaurantes, lojas, cinemas- direcionadas à burguesia francesa, enquanto outra parcela da população era subjugada a condições de miséria. Ocorre que essas características ainda podem ser encontradas na nação brasileira pós- moderna, principalmente em relação aos cinemas, a exemplo da primeira exibição de Bacurau, em que foi necessário construir uma estrutura externa para que os moradores pudessem prestigiar a obra. Dessa maneira, é incoerente que, em uma nação que preze pelo desenvolvimento cultural, haja desigualdade em oferecer acesso ao cinema devido a fatores econômicos.


       Outrossim, há grande indiferença entre os brasileiros em buscar por uma democracia cultural. A esse respeito, o sociólogo Max Weber comprovou que, em uma sociedade, existem três tipos de dominação, sendo uma delas a tradicional. Nesta, o corpo social é incapaz de criticar determinados aspectos exógenos- e, possivelmente, maléficos- porque existe uma forte cultura de conformidade enraizada. Todavia, apesar dos avanços tecnológicos possibilitarem a disseminação de idéias capazes de quebrar dogmas sociais, populações periféricas permanecem sendo prejudicadas pela comprovação de Weber, acarretando a estática em estabelecer uma variedade cultural mediante ao cinema. Assim, não é razoável que regiões menos privilegiadas sejam impedidas de usufruir de seu direito ao lazer devido um preocupante fenômeno social: a dominação tradicional.


      Urge, portanto, que as dificuldades em ofertar o acesso ao cinema de maneira igualitária sejam desconstruídas no Brasil. Para isso, cabe ao Ministério da Cultura, em conjunto ao Poder Público Federal, direcionar maiores investimentos para indústrias cinematográficas presentes em áreas culturalmente negligenciadas no país. Ademais, o Ministério da Educação, por sua vez, deve promover estudos relacionados ao cinema, por intermédio de cursos profissionalizantes e graduações voltadas para esse campo, a fim de estimular o interesse populacional e reduzir os efeitos causados pela dominação descrita por Weber. Dessa forma, o alcance da verdadeira democratização do acesso ao cinema, assim como ocorreu a partir de Bacurau, deixaria de ser, no território nacional, apenas teoria.

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