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ENEM 2019 : Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Segundo o sociólogo francês Piérre Bourdieu, existe um conjunto de saberes intelectuais que são majoritariamente transmitidos durante o desenvolvimento dos indivíduos, ou seja, saberes que são, de maneira geral, herdados do seio familiar: é aquilo chamado de capital cultural. Nesse sentido, ainda que o autor não buscasse tratar diretamente do acesso democrático aos meios de comunicação performáticos, ao menos indiretamente o fez. De acordo com dados de 2019 disponibilizados sobre o acesso de brasileiros às telonas, constatou-se que, por mais que tenha ocorrido um aumento de 43% no índice dos últimos 5 anos, apenas 17% da população faz uso frequenten do cinema, fator que explicita a necessidade de que se entenda a razão do país apresentar números tão baixos e de que medidas sejam tomadas para que também as classes mais baixas usufruam dessa atividade cultural.


Em primeiro plano, é essencial destacar que, muito mais do que somente um momento de descontração e prazer, o cinema também é material de aprendizagem. Em tal atividade, habilidades sociais e profissionais como a interpretação de acontecimentos, a inter-relação desses e até mesmo a disciplina de se manter quieto durante uma sessão são treinadas e postas à prova. Assim sendo, para além de diversas outras vantagens, estimula-se o senso crítico e interpretativo do indivíduo, habilidades vitais para que uma sociedade mais crítica e coesa seja alcançada.


Ademais, outro fator que ressalta a urgência de que o acesso ao cinema seja, de fato, democratizado, é a própria organização social do século XXI. Segundo Zygmunt Bauman, vive-se atualmente um período denominado pós-modernidade que, em oposicão à sociedade do século XX, fortalece o individualismo em detrimento do enfraquecimento das relações sociais. Nesse sentido, ainda que seja claro que o cinema não detenha em si a capacidade de alterar a estrutura social vigente, é mais um mecanismo que busca, em uma atividade estritamente individual - como assistir a um filme - colocar diversos indivíduos na companhia uns dos outros. 


Com tais argumentos em mente, fica claro que medidas que visem a ampliação do acesso ao cinema pela população brasileira são necessárias. Para tanto, o Governo Federal deve, por meio do Ministério da Economia, elaborar um plano de redução progressiva de impostos sobre artes em um período de até 10 anos. Nesse plano, a redução deverá alcançar um teto de 50% da taxa tributárias de empresas que concordarem em participar de tal projeto, sob o risco de multa caso seja constatado que o valor final não foi repassado ao consumidor. Com tais medidas será, enfim, possível que uma sociedade mais crítica e coesa seja alcançada, além, é claro, de aumentar o capital cultural da população.

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