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ENEM 2019 : Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Em sua obra "Modernidade Líquida", Zygmunt Bauman conceituou como "zumbis" as instituições que existem sem cumprir suas funções sociais. Nesse contexto, é possível afirmar que o Estado brasileiro é uma "instituição zumbi", uma vez que não se mostra capaz de assegurar aos brasileiros o acesso amplo ao cinema. Esse problema, causado pela existência da indústria cultural e pela falta de acessibilidade, deve ser resolvido para que a sociedade brasileira torne-se mais democrática em relação à sétima arte.


Em primeiro lugar, o cinema não é encontrado em todo o território nacional. De acordo com dados da Ancine, a maioria das salas de cinema estão, atualmente, localizadas em shoppings centers. Essa informação revela que a distribuição dos cinemas não é feita de modo a atender a população como um todo, mas está relacionada à mercantilização da cultura. Dessa forma, a sétima arte é produzida a fim de contemplar interesses econômicos com grandes arrecadações em bilheteria e esse objetivo só pode ser alcançado em locais onde há maior concentração de renda. Assim, cidadãos que vivem nas regiões mais pobres do Brasil, como norte e nordeste, ou que residem em bairros distantes dos grandes centros são privados do acesso ao cinema. 


Além disso, é possível citar que as salas de cinema são pouco inclusivas. Segundo a filósofa brasileira Marilena Chauí, "no Brasil, as diferenças tornam-se desigualdades". Essa frase é comprovada pela falta de infraestrutura que atenda pessoas com necessidades especiais nesses espaços. Por exemplo, na maioria das salas, cadeirantes só podem se estabelecer na primeira fileira, já que o acesso às outras fileiras é feita por meio de escada. Uma vez que a visibilidade da tela é mínima na primeira fila, tais pessoas acabam por diminuir a frequência aos cinemas, visto que suas necessidades não são devidamente atendidas nesses locais. 


Sendo assim, entende-se que medidas direcionadas devem ser tomadas para contornar a situação e democratizar o acesso ao cinema no Brasil. A longo prazo, é preciso que os governos estaduais, na esfera das secretarias de cultura, promovam maior distribuição das salas de cinema nos estados, por meio de parcerias público-privadas com as empresas do ramo, a fim de permitir o acesso de mais pessoas à sétima arte. Tais parcerias devem ser feitas por meio de incentivos fiscais, ou seja, pela diminuição da alíquota paga em impostos quando houver abertura de salas em regiões carentes nesse quesito. Já a médio prazo, é necessário que os cinemas adotem medidas que possibilitem o atendimento mais adequado a indivíduos com necessidades especiais, como a inauguração de salas onde as escadas sejam substituídas por rampas. 

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