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ENEM 2019 : Democratização do acesso ao cinema no Brasil

        Ainda em preto e branco, o cinema mudo de Charles Chaplin apoiava-se no bom-humor para mostrar aos seus espectadores os processos de industrialização e os modelos trabalhistas vigentes na época. A partir da óptica desse artista, o cinema deve ser reconhecido como uma ferramenta capaz de trazer aos cidadãos a possibilidade de adquirir, por meio da arte, conhecimentos sobre a realidade, a história e a cultura. No entanto, mesmo diante de tal importância, o acesso às salas de reprodução ainda não foi democratizado no Brasil, tanto pela negligência do Governo quanto pela má distribuição das salas.

        Indiscutivelmente, a inércia governamental está relacionada ao problema. Para Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar dos seus cidadãos. Ao seguir o pensamento do filósofo, percebe-se que a administração pública não cumpre sua responsabilidade enquanto possibilitadora do acesso à cultura e ao lazer de forma plena, como garante a Constituição Federal de 1988, haja vista mais de ¾ dos brasileiros não frequentam o cinema, na maioria dos casos, pela ausência de uma intervenção estatal que possibilite a criação desses espaços em suas cidades ou circunvizinhas. Como consequência, as populações maios carentes ficam às margens do que deveria ser garantido a elas.

        Da mesma forma, a concentração dos cines em grandes cidades dificulta a resolução da questão. Por conta do processo de urbanização e a polarização da indústria e do comércio nas capitais, a população dos pequenos municípios, em sua maioria, nas regiões Norte e Nordeste, principalmente as mais carentes, encontram inúmeras dificuldades para conseguir assistir um filme nas “grandes telas”, seja pelo custo da passagem para ir aos shoppings-centers, nas metrópoles, onde está a maioria das salas, seja pelo longo tempo de locomoção. Assim, a aproximação ao cinema torna-se inviável para essa parcela da sociedade e, mais uma vez, esse direito constitucional não é levado à prática, apenas com uma causa diferente.

        Fica claro, portanto, que medidas precisam ser tomadas para efetivar o acesso democrático ao cinema no Brasil. Para tanto, o Ministério da Cidadania, Junto ao Governo Federal, deve criar um programa comunitário, por meio da exibição de filmes e documentários, por telões, em prédios escolares, além de diminuir o custo do ingresso nos cinemas já existentes, a fim de aproximar a população a essa manifestação. Além disso, as escolas, em especial as da rede pública de ensino, podem criar a “seção do Aluno”, na qual seria disponibilizado um dia da semana para a exibição de filmes em data show, com o objetivo de estimular, desde a educação básica, o interesse pelo cinema. Dessa forma, assim como os espectadores de Chaplin, os brasileiros poderão usufruir os benefícios intelectuais e sociais que o cinema pode oferecer.

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