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ENEM 2019 : Democratização do acesso ao cinema no Brasil

     O filósofo John Locke, por meio do seu contrato social, afirmou que o bom funcionamento da sociedade se mostra como resultante do exercício governamental em garantir direitos essenciais aos cidadãos. No entanto, entraves ligados ao egoísmo e negligência do Estado fomentam a cisão dessa ordem contratual. Nesse contexto, enquanto a realidade do acesso ao cinema se consolidar na passividade da destituição dos direitos civis, o cinema ainda parecerá de equidade.
     A princípio, é conveniente relacionar o uso restrito da indústria cinematográfica ao objetivo fundamentalmente comercial. Isso acontece pois, segundo os filósofos da escola de Frankfurt, os setores de reprodução em massa, como o cinema, são influenciados pelo anseio capitalista pautado no lucro. Esse egoísmo corrobora a limitação do acesso e marginalização aos indivíduos que indispõe desses recursos financeiros, o que, por conseguinte invalida a democracia contratual que estabelecera Locke. Nesse contexto, é urgente a transfiguração dessa realidade limitadora de direitos, frente aos benefícios negligenciados.
        Por conseguinte, a ingerência da democracia cultural legitima o cinema como meio excludente na sociedade brasileira. Esse cenário consternado representa as quatro pessoas em cada dez que não têm acesso às salas de cinema no Brasil, segundo o IBGE ao ratificar a precariedade dessa demagogia. Sob essa análise, é possível descrever os cinemas do Brasil como dotados de insuficiência em incorporar quase metade da população, o que ratifica o elitismo como fomentador dessa problemática. Diante disso, é contraditório que se propague a utopia da equidade de acesso ao cinema enquanto a realidade se mostre relutante a essa máxima.
     Urge, portanto, que a sociedade brasileira deixe de ser parte da exclusão de seu direito de acessar o cinema. Por esse motivo, o Ministério da Cidadania, junto ao da educação, deve suscitar a execução desse acesso, mediante a implementação de vale cultura, primordialmente aos estudantes de áreas remotas e em condições de vulnerabilidade social, o qual teria a finalidade de propiciar a experiência ao meio cinematográfico, de modo que o contrato estabelecido por Locke seja um reflexo da boa manutenção social.

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