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ENEM 2019 : Democratização do acesso ao cinema no Brasil

  Na obra literária “Fahrenheit 451”, de Ray Bradbury, é retratado um futuro distópico em que uma corporação totalitária controla o aspecto intelectual e crítico da sociedade. Nesse sentido, por meio da queima de livros e da homogênea submissão do público aos televisores – presentes em todo o cotidiano, exibindo conteúdos sensacionalistas -, esse agente repressor forma uma comunidade autovigilante. Fora da ficção, contudo, é perceptível a inexistência de uma homogeneidade para o acesso ao cinema – ferramenta estimulante à criticidade do indivíduo -, já que a descentralização das transmissões cinematográficas e o barateamento dos ingressos não são políticas públicas adotadas pelo estado. Assim, hão de ser analisados tais fatores, a fim de concretizá-los.


   É lícito analisar, em primeiro plano, que a falta de planejamento urbano na formação das cidades metropolitanas contribui para a concentração das salas de cinema na região mais urbanizada. Nesse espectro, a modernização da cidade do Rio de Janeiro, realizada no Período Joanino, para agradar a recém-chegada elite portuguesa, incluiu a construção de teatros e a incorporação da Art Noveau – altamente elitista --; o que ratifica o caráter segregacionista da arte no Brasil colonial, perpetuado na construção de cinemas somente em metrópoles brasileiras no século XX, destituindo, dessa forma, a parcela populacional interioriana do acesso a tais centros de entretenimento.


   Além disso, é factual afirmar que o alto custo dos ingressos impede a plena utilização dos cinemas no Brasil, uma vez que, somado ao custo para transporte, representa parte substancial da arrecadação familiar das classes mais abastadas. Desse modo, percebe-se que o encarecimento das entradas aos cinemas age como fator de seleção ao contingente populacional que pode ter acesso à cultura, à arte e ao entretenimento – ferramentas de estímulo à criticidade. Sob esse viés, o filósofo Pierre Bourdieu afirma que instrumentos criados para a democracia não devem ser utilizados para a manipulação, atestando a importância do barateamento dos ingressos para o acesso consciente.


   Arremata-se, portanto, a importância da democratização do acesso ao cinema no Brasil, bem como a urgência que o tópico requer. Com o fito de proporcionar a homogeneidade para o usufruo desses centros de cultura, urge que o Ministério da Cidadania, em parceria com empresas cinematográficas e secretarias de cultura municipais, por meio de licitações planejadas, descentralize as salas de cinema para as cidades do interior. Essa ação, realizada através de uma reformulação na Lei de Diretrizes Orçamentárias, efetivaria o barateamento dos ingressos para toda a população. Somente assim, será possível ter um futuro em que, de forma contrária a “Fahrenheit 451”, a criticidade – por meio do cinema – seja universalizada.

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