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ENEM 2019 : Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Bacurau é um filme que se passa no sertão brasileiro, em uma cidade fictícia cercada por estrangeiros que visam exterminar a população local. Tal narrativa pode ser entendida como uma metáfora do cinema brasileiro tentando resistir ao avanço de grandes produções internacionais, pois essas dominam as salas de exibição. Nesse sentido, a democratização do acesso às salas do país contribuiria para que o público tenha acesso às obras fora do domínio hegemônico das grandes distribuidoras, potencializando o cinema como ferramenta de autoreflexão, o que pode ser alcançado valorizando essa cultura como entidade engrandecedora do espírito humano.


De início, narrativas de invasão alienígena que abordam a violência como resolução dos problemas, a exemplo das maiores bilheterias do últimos anos, como "Avatar" e "Os Vingadores", estão entre os produtos da Indústria Cultural que se encaixam nas críticas do sociólogo Theodor Adorno. Segundo o pensador, essas mantêm o público distraído de seus reais problemas. Sob essa perspectiva, ao se incentivar que novos espectadores acessem as salas de exibição no país, ajudaria-se a manter, como economicamente sustentáveis, produções alternativas ao modelo dominante, dando margem para que mais pessoas utilizem o cinema como ferramenta de reflexão pessoal. Nessa ótica, se as salas de cinema fossem mais democráticas, filmes como "Aquarius" - que conta a história de uma personagem que resiste solitariamente ao avanço imobiliário que quer destruir sua vizinhança - poderiam levar uma parcela maior da população a refletir sobre problemas de sua realidade.


Além disso, narrativas alternativas ao modelo hegemônico das grandes distribuidoras precisam de grande comparecimento de público logo nas primeiras semanas para se manterem em cartaz. Diante desse panorama, cabe salientar o pensamento do economista Adam Smith, de que a melhoria da sociedade tange o direcionamento da vaidade das pessoas aos objetos apropriados. Desse modo, a problemática da democratização das salas de exibição no Brasil poderia ser mitigada com a valorização desse suporte artístico para além de seu simples uso como forma de entretenimento, incentivando a população a procurá-lo com o intuito de ser bem vista entre seus pares, sendo motivo de diferenciação social a frequência ao circuito exibidor. Prova disso é o que já acontece com fenômenos cinematográficos, como Harry Potter, que tem sua base de fãs legitimando o consumo de produtos ligados a essa narrativa e instigando outros apreciá-la. Dessa maneira, depreende-se a necessidade de criar interesse no público-alvo para democratizar o cinema no Brasil.


Cabe ao Estado, portanto, como agente administrador da sociedade, intervir nesse quadro. Sob esse prisma, é função do Ministério da Cidadania, como órgão do Governo Federal responsável pelo desenvolvimento social, criar campanhas de valorização do cinema como ferramenta filosófica que busque pensar sobre os problemas da nação, para serem veiculadas por meio da televisão aberta, em horário nobre, visando atingir o maior público possível. Isso deverá ser feito com o fito de criar novos públicos para as obras cinematográficas e democratizar o acesso às salas de cinema no país. Assim, mais pessoas poderão utilizar o cinema como queria Adorno.

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