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ENEM 2019 : Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Com a revolucionária prensa de Gutenberg, o mundo experimentou o acesso a obras de forma mais democrática e barata, modificando o paradigma de exclusão das camadas menos abastadas. Apesar desse progresso moderno, a contemporaneidade brasileira convive com a elitização do cinema em áreas urbanas, o que configura um problema social. Nesse sentido, cabe refletir sobre a influência da modificação do conceito de entretenimento e do progresso tecnológico atual.


Em primeiro lugar, a massificação das artes é uma característica vigente. Nessa esteira, o filósofo Theodor Adorno da Escola Alemã de Frankfurt propugnava que a cultura é hoje instrumento para geração de lucros sobretudo, em detrimento do zelo estético e artístico. A partir disso, é possível afirmar que a indústria cinematográfica é incapaz de convencer o público a consumir seus produtos e, portanto, deixa de transmitir sua mensagem a todos. Um exemplo dessa realidade se constitui na padronização dos enredos, que envolvem sempre a figura de um herói virtuoso e um vilão cruel com um final feliz.


Em segundo lugar, a mudança de plataforma de exibição é uma constante hodierna. Isso foi teorizado pelo escritor e filósofo Bauman, que defende a tese da liquidez das relações contemporâneas. Nesse plano, o telespectador está assistindo seus filmes e séries de forma mais prática, por meio de plataformas de “streaming” e não mais pelas salas de cinema e suas filas estressantes. Logo, a baixa renda das famílias condiciona a sua preferência por métodos de baixo custo e alto benefício, como é o caso do “Netflix” e “Amazon Prime”, o que levou a falência locadoras de filme e “DVDs”.


Destarte, para mudar o cenário precário, a sociedade organizada deve agir. O Estado, representado pelo Ministério do Desenvolvimento Regional, deve promover a expansão das redes de cinema por meio da desoneração tributária, com o objetivo de atender as áreas desfavorecidas e dar competitividade a essas empresas. Além disso, as faculdades de audiovisual devem incentivar seus discentes a inovar, por meio de matérias extracurriculares que mostrem a importância da criatividade. Espera-se, com isso, que os brasileiros sejam atraídos mais uma vez para o cinema assim como Charles Chaplin atraira nossos antepassados.

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