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ENEM 2019 : Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Em seu poema ”Vou-me embora pra Pasárgada”, Manuel Bandeira – famoso poeta modernista – atribui diversas qualidades ao seu desejado destino, como, por exemplo, a possibilidade de acesso às mais variadas formas de lazer. Todavia, ao contrário do lugar apresentado pelo escritor, no Brasil, o lazer não é garantido plenamente a toda sociedade. Nesse contexto, a democratização do acesso ao cinema no país é um desafio que envolve não só a negligência governamental, mas também a concentração desse tipo de estabelecimento nos grandes centros urbanos.


Primeiramente, é preciso destacar que as autoridades públicas não se mostram interessadas em propagar esse tipo de cultura no país. Consoante o filósofo grego Aristóteles, em seu livro “Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir a felicidade e o bem-estar da população. Dessa forma, percebe-se que o Estado é falho, visto que sua omissão não permite a garantia de um direito que é, por lei, intrínseco a todo cidadão brasileiro e que auxilia na formação dos valores éticos das pessoas: o lazer. Assim, envolvido em um ciclo de incompetência governamental, é inadiável que o poder público atue para alterar essa realidade.


Por conseguinte, a ausência do governo no âmbito cinematográfico fornece espaço para que, atualmente, as empresas privadas dominem esse mercado. De acordo com Nick Couldry, sociólogo britânico, a principal barreira para a efetiva democracia é a existência de vozes que não são ouvidas, já que essa desigualdade de fala condena alguns grupos sociais à inexistência. Por esse viés, as pessoas periféricas e de menor renda não são ouvidas – ou se quer lembradas – pelos grandes empresários que, interessados apenas no lucro, concentram os cinemas em grandes centros comerciais, o que dificulta o acesso a esse tipo de atividade. Tal situação, inevitavelmente, transforma essa importante forma de expressão cultural em uma arte elitizada.


Dessa maneira, é imprescindível que medidas sejam tomadas para amenizar essa problemática. Primordialmente, o Ministério da Cidadania deve fornecer investimentos financeiros para o setor cinematográfico, por meio da construção de cinemas públicos que exibam, semanalmente, diversos filmes para a população, a fim de fomentar esse tipo de cultura para todas as camadas da sociedade. Ademais, o Governo Federal deve realizar parcerias com as empresas privadas, mediante o barateamento de transporte e ingressos de cinema para alunos de instituições públicas, para que os jovens brasileiros tenham, assim como em Pasárgada, o privilégio de que o lazer faça parte do seu cotidiano.

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