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ENEM 2019 : Democratização do acesso ao cinema no Brasil


   O cinema, como quaisquer outras invenções, foi visto, inicialmente, como uma novidade passageira. Todavia, atualmente, é considerado um dos principais meios de entretenimento e um propagador de cultura. Além disso, em um Estado democrático, presume-se o amplo acesso às atividades culturais como uma forma de tornar os cidadãos mais conscientes e qualificados. Nessa perspectiva, surge o debate relacionado à democratização do acesso ao cinema no Brasil, em função de dois fatores: os interesses financeiros e o Estado pouco atuante.


   Em primeiro lugar, é importante destacar que os interesses econômicos são responsáveis pela exclusão ou pouco acesso de inúmeras pessoas aos cinemas. Isso se deve à preferência de instalação desses locais em grandes cidades e nos centros urbanos, pois a renda tende a ser mais elevada e, por consequência, os lucros são maiores. De acordo com o filósofo Karl Marx, a consciência social restrita está ligada ao fato de as relações de produção nortearem as relações sociais. Sob essa ótica, é possível inferir que os cinemas são importantes para a emancipação social, já que são um meio de denúncia dos problemas sociais recorrentes. Nessa seara, um exemplo são os filmes de Charles Chaplin, que demonstravam a alienação do trabalhador nas linhas de produção das fábricas. Assim, é mister o encontro de um ponto de equilíbrio entre lucro e democracia.


   Outrossim, o Estado Brasileiro é pouco atuante no que tange à ampliação da frequência nos cinemas das camadas mais pobres da população. A Constituição Federal de 1988 preconiza a justiça social e a redução de desigualdades. Todavia, embora o advento da tecnologia, com plataformas como o “Netflix”, permita a criação de um “ cinema em casa” por intermédio de um computador, a má distribuição de renda e a infraestrutura de telecomunicações ainda precária em algumas regiões do Brasil, não permitem o amplo acesso ao mundo do cinema. Desse modo, a aproximação entre o plano do dever ser, constitucional, e o plano do ser, a realidade de fato, citados pelo sociólogo Max Weber, é primordial para a democratização do cinema na sociedade brasileira.


    Portanto, a busca pelo lucro associada à falha atuação estatal afeta a democratização do cinema no Brasil e isso deve ser enfrentado. Para tanto, é necessária a criação de um fundo social pelo Governo Federal, por meio de um projeto de lei e coordenado, de forma conjunta, pelo Ministério da Economia e pela Secretaria de Comunicação. Esse fundo seria subsidiado através de doações de pessoas e de empresas advindas de peças publicitárias, veiculadas na televisão aberta e na internet, que demonstrassem a importância do cinema como instrumento cultural e de consciência social.

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