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ENEM 2019 : Democratização do acesso ao cinema no Brasil

O Modernismo foi uma tendência do início do séc. XX que buscava dessacralizar a arte e torná-la mais popular. Fora da literatura, entretanto, o Brasil hodierno encontra diversos obstáculos para efetivar a democratização do acesso à arte, sobretudo ao cinema, uma vez que o descaso estatal e a divisão socioeconômica da população brasileira dificultam esse processo. Nesse sentido, convém buscar caminhos para ampliar o usufruto cidadão dos conteúdos cinematográficos.


A priori, considera-se a efetivação das normas constitucionais e a suposta garantia de vida digna, responsabilidade do Estado, em questão para o acesso aos cinemas. Nesse prisma, vale pontuar que a Constituição Cidadã de 1988 assegura, dentre vários direitos sociais, o direito ao entretenimento, o qual deveria estar no alcance de todos os cidadãos. Não obstante, isso não é executado na prática, posto que a população mais periférica tende a ser desconsiderada nas políticas públicas vigentes, convergindo para uma reafirmação das desigualdades sociais presentes no orbe.


Ademais, ressalta-se o papel das empresas capitalistas como elemento fundamental na redução crescente do acesso às apresentações cinematográficas por todo o país. Prova disso são os postulados sociológicos dos pensadores Theodor Adorno e Max Horkheimer, os quais, mediante a formulação do conceito de indústria cultural, constataram que o lucro é o único objetivo desses empresários, e para isso, uniformizam os indivíduos e excluem aqueles que não detêm poder aquisitivo suficiente para pagar pelo serviço. Com efeito, ao aplicar essa lógica no atual panorama de acesso ao cinema, fica evidente a segregação socioeconômica imposta pelo setor privado às comunidades mais carentes, configurando injustiça social.


Destarte, não restam dúvidas de que o restrito acesso público de espetáculos cênicos permanece forte no país. À vista disso, cabe ao Poder Executivo, em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), agir de modo a ampliar e ratificar o direito ao entretenimento. Isso será feito por meio da taxação de 10% dos lucros obtidos pelas empresas privadas do setor cinematográfico, verba essa que será investida em construções de cinemas públicos, os quais serão destribuídos com base nos dados do IBGE, enfatizando as regiões brasileiras mais carentes e com menor acesso, visando alcançar o máximo de democratização possível. Dessa forma, tal como fizeram os modernistas, os setores populares poderão desfrutar melhor das artes, sobretudo, as cênicas.

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