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ENEM 2019 : Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Na Semana de Arte Moderna, realizada em 1922, tornou-se progressivamente destacável a democratização do acesso à cultura nacional, por intermédio de obras que procuravam retratar o cotidiano popular, a diversidade linguística e a pluralidade do país. Contudo, na atual conjuntura brasileira, o ímpeto modernista é negligenciado e substancial parcela da população ainda não tem acesso a uma das mais importantes esferas culturais: o cinema. Esse panorama nefasto é oriundo da inoperância estatal e das disparidades econômicas, o que suscita ações mais contundentes nos âmbitos político e civil em prol de facilitar o acessoao cinema.



Convém ressaltar, a princípio, que são ineficazes as ações da administração pública para facilitaro acesso à arte cinematográfica no contexto nacional. Com efeito, apesar de a Declaração Universal dos Direitos Humanos defender a cultura como um fator indispensável para a dignidade dos indivíduos - considerando-a patrimônio imaterial-, o que se verifica, na prática, é a não efetivação desse pressuposto no Brasil, haja vista que parte da população é impossibilitada de frequentar os cinemas. Sob esse viés, verifica-se que são insuficientes as políticas públicas de inclusão cultural, além da pouca oferta de programas nacionais para a divulgação e a democratização das produções. Por conseguinte, tal esfera artística torna-se inacessível e elitizada para muitos brasileiros, impedindo-lhes de adquirir conhecimento e senso crítico, o que prejudica o desenvolvimento social e cultural da nação.



 



Ademais, convém ressaltar que as disparidades econômicas são obstáculos para democratização do consumo da arte cinematográfica. A esse respeito, o sociólogo Gilberto Freyre defende, na obra “Casa-grande e Senzala”, que a a desigualdade brasileira foi historicamente construída a partir do senhor de engenho. Nesse sentido, observa-se que tal circunstância histórica ainda se perpetua e produz efeitos hodiernamente, pois, em face da ausência de engajamento civil ou da displicência com o bem-estar social, o cinema apresenta um público restrito que não dialoga com a pluralidade do país, evidenciando uma realidade extremamente excludente e antidemocrática.



Portanto, para democratizar o acesso aos cinemas, compete ao Governo Federal ampliar investimentos em políticas públicas de inclusão cultural, por intermédio de um redirecionamento orçamentário que possibilite, por exemplo, a oferta de subsídios na aquisição de ingressos para pessoas em vulnerabilidade social, além da construção de centros governamentais que promovam  o acesso de toda a população no consumo do cinema, com o fito de minorar a exclusão no Brasil. Outrossim, cumpre à sociedade civil engajada evidenciar a importância da democratização dos cinemas, por meio de campanhas nas redes sociais e de cartilhas educativas, com o intuito de promover uma maior cobrança às autoridades políticas. Assim, o projeto modernista será, de fato, concretizado no País.

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