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ENEM 2019 : Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Em uma cena da produção cinematográfica "Coringa", lançada em 2019, Arthur Fleck, um homem pobre de Gotham, precisa entrar no cinema para encontrar Wayne (um empresário de sucesso), sendo forçado a se vestir de funcionário do estabelecimento para ser permitido entrar, já que era um local prioritariamente frequentado por ricos. Fora do campo artístico, esta é, infelizmente, uma realidade no Brasil: a falta de democracia no que diz respeito ao acesso aos cinemas. Essa questão constitui uma problemática social que deve ser resolvida, uma vez que, além de comprometer o exercício da cidadania, contribui para a segregação social.
Em primeiro plano, deve-se levar em consideração que a falta de democracia no acesso ao cinema vai de encontro a princípios estabelecidos pela Carta Magna nacional. A Constituição Federal define o Brasil como um país democrático, o que se estende ao âmbito cultural. Infelizmente, essa extensão não é observada no campo cinematográfico, o que é perceptível ao analisar a taxa populacional com acesso ao cinema que, segundo os dados disponibilizados pela fonte "Meio e Mensagem", alcança apenas 17% dos brasileiros. Nesse viés, a inércia do Poder Público constitui um desrespeito à cidadania da população que, apesar de ter direitos garantidos pela Constituição, não consegue exercê-los.
Ademais, a exclusividade do cinema às áreas mais favorecidas economicamente - que restringe o acesso cultural - contribui para a segregação social. Segundo a Agência Nacional de Cinema (Ancine), o Brasil conta com cerca de 2200 salas, concentradas nas áreas de renda mais elevada das grandes cidades. Essa realidade contribui para a dominação elitista e marginalização das camadas mais pobres da sociedade, o que pode ser analisado sob a perspectiva do filósofo francês Pierre Bourdieu, que afirma que as divergências de acesso ao denominado "Capital Cultural" (conhecimentos culturais) entre as classes ricas e pobres influencia decisivamente na subjugação dessas por aquelas.
A partir do exposto, percebe-se a necessidade de democratização do acesso ao cinema no Brasil. Para tanto, o Governo Federal - por intermédio do Ministério da Cultura - deve ampliar o número de salas no território sem focos de concentração privilegiados, de forma a garantir a acessibilidade ao meio cinematográfico e ao "Capital Cultural", o que deve ser realizado a partir da liberação de verba proveniente de impostos pelo Tribunal de Contas Públicas. Como resultado dessa nova perspectiva, cumprir-se-á o princípio democrático estabelecido pela Constituição Federal.

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