use o cupom aprovado21 e ganhe + 21% de desconto extra 21% OFF

ENEM 2019 : Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Em 1988, Ulysses Guimarães promulgou a Carta Magna e estabeleceu que o direito ao lazer e à cultura deveria ser garantido a todos. No entanto, a falta da democratização do acesso ao cinema - uma das principais formas de lazer e propagação de cultura - no Brasil mostra que a promessa de Guimarães está distante de ser cumprida. Tal problemática se dá pela desigualdade histórica e pela omissão do Estado.
Primeiramente, é notório que substancial parcela da sociedade brasileira não apresenta condições financeiras de ir ao cinema graças à histórica desigualdade enraizada no Brasil. A esse respeito, o sociólogo Gilberto Freyre, na obra "Casa-grande e Senzala", defende a ideia de que a formação do brasileiro foi baseada na colônia de exploração dos recursos naturais e dos indivíduos, o que gerou uma enorme desigualdade de renda. Desta maneira, o problema apontado por Freyre ainda perdura na sociedade hodierna, tornando-se um obstáculo nocivo à democratização do acesso ao cinema, pois impede que grande parte da população tenha acesso a essa forma de lazer e cultura, já que não possuem condições de alocar recursos para tal, fazendo com que o direito estabelecido em 1988 esteja restrito a uma minoria detentora do poder aquisitivo.
Ademais, evidencia-se que a falta de democracia do acesso ao cinema é corroborada pela omissão do poder público. Nesse viés, o filósofo iluminista John Locke desenvolveu o conceito de Contrato Social, segundo o qual os indivíduos confiam suas necessidades ao Estado, que, em contrapartida, deve garantir direitos aos cidadãos. Entretanto, as autoridades públicas do Brasil se mostram indiferentes ao que propôs Locke, na medida em que permitem a exclusão das parcelas sociais menos favorecidas, não lhes garantindo o direito ao lazer e à cultura, propiciados nas obras cinematográficas.
Portanto, a fim de democratizar o acesso ao cinema no Brasil, cabe ao Ministério da Educação e Cultura problematizar a histórica desigualdade, que perdura desde o século XVI, por meio de aulas de história capazes de evidenciar as causas da pobreza no país. Além disso, o MEC poderia estimular a promoção de eventos cinematográficos para as comunidades que não têm condições financeiras de ir ao cinema, por meio da destinação de verbas específicas para as escolas, onde ocorreriam tais eventos. Essas iniciativas teriam a finalidade de garantir o acesso à cultura e ao lazer, prometidos desde 1988 à população.

Ver todas as redações Corrija suas redações com a nossa plataforma! Clique aqui!