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ENEM 2016 - prova 2

                                                Justiça à vista


“Todo camburão tem um pouco de Navio Negreiro.” Esse trecho de uma música do grupo O Rappa faz referência direta ao caráter racista de muitas das abordagens policiais no Brasil. Paralelamente à canção, esse preconceito é um mal fortemente presente na sociedade, seja pelo ataque às atrizes negras, em redes sociais, seja por termos pejorativos direcionados a jogadores afrodescendentes, em partidas de futebol. Nesse sentido, o racismo é um mal a ser combatido no país, fruto tanto do desconhecimento histórico dos negros brasileiros quanto da lenta mudança do pensamento social.


Indiscutivelmente, a ignorância sobre o passado escravocrata em terras tupiniquins está intimamente ligada à questão. Embora, após 300 longos anos de escravidão, a Princesa Isabel tenha assinado a Lei Áurea, que livrou os negros da condição de propriedade dos seus senhores, essa conquista não foi um mero presente. Durante o Período Colonial, escravos criaram quilombos, rebelaram-se e seus sangues foram derramados em nome da liberdade do seu povo. Todavia, essa é a parte da história que não ganha notoriedade nos livros, o que reforça a ideia do herói branco, forjada no suor daqueles que realmente lutaram. Dessa forma, grande parcela da sociedade acaba por não conhecer o trajeto de resistência que os quilombolas e seus descendentes traçaram até aqui.


Da mesma forma, a banalização do preconceito também contribui para a permanência do racismo no século XXI. De acordo com o conceito de banalidade do mal, da filósofa Hanna Arendt, quando uma atitude agressiva ocorre constantemente, as pessoas param de vê-la como errada. Ao seguir esse pensamento, nota-se que cometer racismo, bem como a injúria racial, de forma recorrente cria uma normalidade nessas ações e reforça o círculo vicioso de preconceitos fortemente presentes no país. Com isso, o estereótipo do homem negro como criminoso, ou inferior, reforça e legitima os atentados em redes sociais, na internet, bem como a violência contra homens de pele escura por parte da polícia, que, de acordo com uma pesquisa feita pela UFSCar, são, majoritariamente, direcionadas a esses cidadãos, que reforça canção da O Rappa e limita a superação desse pensamento retrógrado.


Fica claro, portanto, que medidas precisam ser tomadas para combater o racismo, no Brasil. Para esclarecimento, o Ministério da Educação, MEC, junto às escolas, deve criar um programa de conhecimento sobre a história e a cultura afrodescendente, por meio de filmes e documentários relacionados ao tema, a fim de promover o respeito à luta do negro pela sua ascensão. Já no que tange à intolerância, o Governo Federal pode criar um sistema de combate ao impasse, por intermédio de cursos policiais com ideias de abordagens mais humanas e também de uma perda de pontos na carteira dos agentes – a depender do nível, o profissional perde o cargo -, além de aumentar as punições para os casos de injúria racial, tanto na esfera digital quanto na real, para esclarecer que essa prática é crime passivo de consequências. Assim, não existirã0 mais navios negreiros disfarçados e será possível navegar rumo a uma sociedade mais justa.


 

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