O CUPOM VOUPASSAR35 É VÁLIDO POR: dias horas minutos segundos

Elitização artística e preconceitos no Brasil

O Modernismo, que teve início com a Semana da Arte Moderna em 1922, foi uma escola literária cuja uma das características principais era aproximar a arte da massa popular, e para isso, adotou o uso da linguagem coloquial. Entretanto, tal tentativa de inserção da classe baixa ao meio artístico não se efetivou. Desse modo, a eletização das produções musicais, cinematográficas, literárias e visuais, que impera no Brasil, desencadeia um desconhecimento histórico e cultural da sociedade e deslegitima movimentos sociais que ocorrem através da arte.


Diante dessa perspectiva, é pertinente destacar que as obras artísticas são uma forma de adquirir conhecimento. Sob esse viés, cabe ressaltar que o contexto histórico exerce extrema influência na criação de quadros, músicas, livros e filmes, uma vez que refletem as características e pensamentos do momento em que foram feitas. Nesse sentido, faz-se importante salientar, por exemplo, o movimento brasileiro Tropicalismo, o qual representa a ruptura cultural de um grupo de artistas que através de suas composições descreviam subliminarmente o contexto da ditadura no país, e que hoje são usadas para estudar tal período. Em vista de tal prisma, depreende-se que a eletização da arte impede não apenas o acesso ao entretenimento, mas principalmente impossibilita que população marginalizada se informe e conscientize acerca da história que forma o passado do país e do mundo, de sua cultura originária e das questões sociais e políticas atuais.


Outro aspecto a ser analisado é a discriminação sofrida pela arte produzida na periferia. Acerca dessa óptica, é válido relacionar o livro “O triste fim de Policarpo Quaresma”, do escritor pré-modernista Lima Barreto, o qual retrata a história do Major Quaresma, um homem genuinamente patriota e que se interessa em aprender tocar violão, mas é condenado por seus vizinhos, isso porque, o instrumento na época era visto como sinônimo de malandragem. Da mesma forma que na obra, a cultura de massa e periférica no Brasil é hostilizada, e ritmos com o funk e rap, cujo objetivo inicial do movimento é usar a música para fazer críticas sociais e expressar os problemas enfrentados pela população pobre e negra, principalmente, são deslegitimados e desvalorizados pelos próprios brasileiros, que associam tais gêneros à criminalidade. Diante dos fatos supracitados, as artes produzidas ou associadas ao gueto nunca são vistas como tal pela grande maioria da população, e não atingem sua intenção social, que é promover uma reflexão no que tange as mazelas do país.


Em face do que foi exposto, faz-se imprescindível a tomada de medidas que busquem democratizar e desmitificar todas as formas de expressão artística. Posto isso, concerne as instituições de ensino, responsáveis pela formação de opinião da comunidade, promoverem semestralmente a popularização da arte, através de feiras de culturas, aulas, palestras e trabalhos didáticos acerca da variedade artística do Brasil e do mundo. Poder-se-á assim, desconstruir preconceitos, universalizar o conhecimento e cessar com a divisão existente entre arte erudita e de massa, para que tal qual almejava o Modernismo ela pertença à todos.

Ver todas as redações Corrija suas redações com a nossa plataforma! Clique aqui!