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Elitização artística e preconceitos no Brasil

Durante o Renascimento Cultural, iniciado no século XIV, as produções artísticas conseguiram desenvolver-se graças ao mecenato — incentivo financeiro dado pela elite —. Nesse viés, além de a nobreza e parte da alta burguesia patrocinarem os artistas, ao adquirirem suas obras, ganhavam prestígio e status — uma vez que apenas uma pequena parcela do corpo social era apta a consumir tais produtos. Sob esse prisma, o Brasil hodierno apresenta as mesmas características no tocante às manifestações artísticas e culturais, esses aspectos podem ser considerados frutos de uma sociedade capitalista e segregadora.


Em primeira análise, deve-se destacar a intensa estratificação social, vivenciada pelos brasileiros, que se reflete no acesso à cultura. Tendo esse panorama em vista, segundo o sociólogo Karl Marx, a maior parte dos cidadãos — representada pelo proletariado — trabalha exclusivamente para sustentar a burguesia e não tem acesso aos mesmos bens, materiais ou imateriais, que essa classe. De mesmo modo, um número majoritário da população brasileira funciona como base sustentadora da oligarquia financeira local, sendo inviável a esse amplo contingente populacional a acessibilidade à maioria dos patrimônios culturais em território nacional.


Em segundo plano, é necessário evidenciar a crescente mercantilização da arte, bem como a discriminação dos movimentos considerados marginais. Nesse contexto, nota-se o avanço da indústria cultural, cenário ponderado por pensadores da Escola de Frankfurt e, com isso, a transição do significado da arte como ferramenta de expressão para dispositivo de lucratividade. Assim, aqueles que são capazes de pagar pelo produto sentem-se superiores aos que não são, corroborando, além da demasiada segregação, o preconceito e a repressão sobre expressões artísticas que não detêm alto valor econômico.


Portanto, tendo em vista as mazelas advindas da elitização artística no país, urge que medidas sejam tomadas para mitigá-las. Dessa maneira, cabe ao Estado, por meio de programas sociais, ampliar a acessibilidade às manifestações culturais às camadas menos abastadas da nação, visando atenuar o distanciamento vinculado ao nível sócio-econômico. Outrossim, é dever da União, por intermédio do Ministério da Educação, divulgar informações elucidativas nos meios de comunicação a respeito do que é considerado arte, com o objetivo de deslegitimar os estigmas remanescentes sobre esse conceito. Somente assim, serão garantidos o acesso, a liberdade e a valorização às mais diversas manifestações artísticas e culturais, como previsto pelos artigos 5 e 215 da Carta Magna de 1988.

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