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Elitização artística e preconceitos no Brasil

       No premiado filme de 1990 “A sociedade dos poetas mortos”, Keating é um professor de literatura que leciona em uma renomada instituição educacional para garotos, e instiga seus alunos a desenvolverem um pensamento crítico quanto à maneira de se estudar a arte literária. Nesse contexto, a instituição vê a didática do professor como uma ameaça à tradicionalidade vigente, exonerando-o do cargo. Semelhantemente, no Brasil, ainda existem obstáculos que dificultam a flexibilização artística além do campo acadêmico, tornando-o elitista graças ao seu caráter socioeconômico e intelectual.


    Primeiramente, se faz necessário entender as circunstâncias que vinculam o fenômeno artístico à condição econômica individual. O conceito de Indústria Cultural, desenvolvido por Theodor Adorno, refere-se à ideia de produção em massa, típica das indústrias capitalistas, que passou a ser adaptada à produção artística. Dessa maneira, a produção de obras artísticas passa a ter uma lógica consumista, influenciada por um pensamento dominante que dita o modo como os artistas produzem e como o povo consome. Nesse viés, a arte passa a ser um bem de consumo e produção exclusivo àqueles economicamente favorecidos.


     Ademais, presencia-se um forte estereótipo do que se configura como “arte superior” no imaginário popular. É coerente afirmar que esse pensamento se institui através da crença na arte como consequência do elevado intelecto do indivíduo, herdado dos tempos coloniais. Nesse sentido, o modelo de vida difundido pelos jesuítas portugueses durante o Brasil colônia, valorizava o que os europeus tinham como arte essencial, em detrimento da expressão artística vinda com os negros, assim como a arte indígena, definindo, assim, a marginalização da arte popular que perdura até os dias atuais.


      Portanto, deve haver uma intervenção governamental para amenizar os impactos sociais da problemática debatida. Cabe ao Ministério da Educação, através de verbas concedidas pelo Governo Federal, em parceria com ONGs de arte popular, criar um programa de difusão da prática artística em comunidades menos abastecidas, com objetivo de reverter o processo de elitização da arte no imaginário da população e autenticar as diferentes maneiras de se produzir e consumir arte. Somente assim será possível romper com a tradicionalidade opressiva no campo artístico vista em “A sociedade dos poetas mortos”, e refletida no Brasil contemporâneo.

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