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Elitização artística e preconceitos no Brasil

A cantora Anitta, em entrevista para Universidade de Harvard, relatou sua experiência na indústria da música enquanto cantora de funk carioca, o qual era muito desvalorizado e rotulado. Nesse sentido, a artista revelou que outros estilos musicais eram tocados nas rádios em detrimento do funk, devido ao preconceito sobre o gênero, o que impactou negativamente o início da carreira da musicista. Posto isso, denota-se que a elitização artística e, consequentemente, o preconceito, interfere diretamente na difusão e democratização da arte no país. Sob tal viés, faz-se necessário analisar as origens e os impactos de tais questões na contemporaneidade brasileira.


Em primeiro lugar, vê-se que as origens para tal realidade remetem ao período imperial, visto que as famílias mais nobres da corte portuguesa tinham posições privilegiadas no corpo social, como melhor localização e moradia, para uso e acesso das artes, além de condições financeiras para frequentarem teatros, exposições e bibliotecas. Contrariamente, os indivíduos mais pobres ou que possuíam status social mais baixo, como escravos, eram inviabilizados e impedidos de ocupar espaços artísticos. De modo que, até hoje, percebe-se tais parâmetros, em que o acesso para as elites a todo tipo de arte é facilitado e serve como recurso de aprendizagem, dado as melhores condições financeiras, enquanto que a população mais simples não tem esse direito devidamente garantido.


Ademais, cabe analisar os impactos que a elitização da arte traz sobre aqueles que produzem nas periferias essas expressões. Nessa perspectiva, o samba, por exemplo, que teve origem na população negra e favelada nas grandes metrópoles brasileiras é totalmente estigmatizado, já que é uma manifestação mais simplificada e que atinge diversos tipos de públicos. Nisso, comumente, é normal ver pessoas que repudiam tal estilo ou que considera “menos cultura”, carregando a questão sócio-financeira e racista, como critério inconsciente para a decisão.


Portanto, o Ministério da Educação (MEC) deve, por meio de verbas públicas, incrementar na grade curricular das escolas nacionais, matérias que visem romper a barreira do acesso às artes, permitindo que os alunos possam conhecer as produções brasileiras e saber que as expressões artísticas são diversas e válidas, de forma a inibir o preconceito existente na mentalidade da população.

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