ENTRAR NA PLATAFORMA
Educação domiciliar no Brasil

Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz em suas "Memórias Póstumas" que não teria filhos, a fim de não transmitir nenhum legado da miséria humana. Analogamente, a mudança de mentalidade da população, que se tornou mais extremista, além da possível alienação e defasagem social enquadram-se no conjunto de "misérias da humanidade", uma vez que se constituem como desafios da sociedade a serem superados para mitigar os problemas que educação domiciliar traz para o Brasil. Assim, é necessário discutir os aspectos sociais e políticos da questão, em prol do bem-estar coletivo.


Primeiramente, vale ressaltar o poder que o pensamento social possui em alterar visão que o indivíduo tem com relação à escola. Consoante à Teoria do Habitus elaborada pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu, a sociedade detém padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos pelos indivíduos. Nessa perspectiva, a bipolarização do mundo, após da Segunda Guerra Mundial, perpetuou a mentalidade, nas atuais gerações, de que se deve separar o mundo em duas ideologias, o qual traz, para a sociedade, extremismo e intolerância. Assim, essa forma de pensar permite a construção de um sentimento, pelos pais, de que a escola molda o aluno para seguir uma certa linha de pensamento e isso fomenta o ato de educar em casa. Entretanto, é no ambiente escolar, com a construção de debates que contrapõem diversos ideais, que o indivíduo monta seu modo de viver.


Por conseguinte, a popularização da educação domiciliar gera maior contingente de indivíduos não preparados para o convívio social. Segundo a educadora da USP, Sílvia Colello, o ensino fora do ambiente coletivo produz um cidadão com poucas competências sociais, além de doutrinado a seguir os ideais a ele impostos e não por ele construídos. Nessa perspectiva, essas pessoas terão dificuldades no mercado de trabalho, que necessita cada vez mais de trabalhar em grupo e respeitas as diferenças, habilidades que não são estimuladas no ensino fechado em casa.


É evidente, portanto, que é necessária uma intervenção estatal. Logo, o Ministério da Educação, em parceria com o da Cidadania, deve fazer um acompanhamento dos indivíduos que receberam educação domiciliar, com auxílio de psicólogos e terapeutas, com o objetivo de identificar e tratar defasagens criadas pelo método de ensino, além de buscar eliminar qualquer vestígio de intolerância com as diferenças. Para que assim, os problemas que essa metodologia traz sejam amenizados, afim de que, com isso, na teoria de Bourdieu a sociedade caminhe para perpetuar o bom convívio social, sem extremismos.

Ver todas as redações Corrija suas redações com a nossa plataforma! Clique aqui!
Message comes here!
Aguarde