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É possível ter empatia nos dias atuais?

O autor Jorge Amado, grande nome da geração modernista de 30, afirma que tornar-se poeta foi a forma de conseguir denunciar, e expor nacionalmente, as várias famílias que passavam por situações análogas à escravidão nas fazendas de cacau no interior da Bahia. Paralelamente a ele, o movimento literário dessa década carregou muitos nomes de destaque que também viam a escrita como meio de indagação social, como, por exemplo, a primeira autora da Academia Nacional de Letras, Raquel de Queiróz, que narrou os acontecimentos de 1915, ano de uma das piores secas do sertão. No entanto, é visível em nossa sociedade moderna o declínio da empatia nos diferenciados círculos sociais, sendo perceptível que a falta dessa prática acarreta um crescimento nas taxas de violência, e assim, favorecendo o aumento da desigualdade. Logo, é indiscutível a necessidade de fomentar-se um debate sobre esse tema.
Primeiramente, o movimento feminista, que eclodiu pelo mundo a partir do período entre-guerras, é fundamentado no conceito da sororidade, ou seja, a prática da empatia entre mulheres; esse termo ganhou certo destaque atualmente devido às situações comuns vivenciadas pelo sexo feminino: a violência. Por conseguinte, o aumento das agressões contra o "sexo frágil" sofre uma elevação exponencial nos maiores centro urbanos, enquanto o sentimento "empático" torna-se cada vez mais raro; assim declara os dados obtidos por diversas pesquisas populares, como as feitas pelo IBGE ou IBOPE, que afirmam o estupro como maior temor diário. Contudo, a solidariedade ainda consegue ser notada, como no caso do aplicativo para celulares chamado "Vamos Juntas?", que combina rotas idênticas para que usuárias sempre caminhem acompanhadas até o seu destino final.
Todavia, as situações barbáries devido o desaparecimento da empatia não estão anexadas apenas a violência feminina, mas também ao grande cenário desigual do mundo. Majoritariamente no Brasil, a desigualdade e as mazelas sociais são fáceis de encontrar, sejam nas grandes metrópoles ou no interior. É possível observar nitidamente essa construção, por exemplo, na Cidade Maravilhosa, que em sua zona sul abriga o metro quadrado mais caro da América Latina e uma das maiores comunidades carentes do mundo, a Rocinha. Nota-se também esse problema social, gerado pela falta de empatia, na maior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial, onde grande parte dos países europeus optaram por burlar a Convenção de Genebra, acordo que obriga estas nações ofertarem abrigos, e consequentemente fadando ao fracasso o seu intuito norteador, o de evitar descaso com os "imigrantes de guerra", como ocorreu com o povo judeu no início do século XX durante o holocausto.
A injustiça em qualquer lugar condena a justiça de todo mundo, defendia o ativista negro Marthin Luther King, portanto, medidas devem ser impostas para resolução do impasse. Por isso, os órgãos de educação das diversas nações devem implantar oficinas, com autoridades como ativistas sociais e até psicólogos, que tutelem crianças na prática da empatia e suas virtudes perante à sociedade. Assim como, os governos nacionais, em parceria com a ONU e os meios de comunicação do país, criem campanhas publicitárias que incitem a empatia dentro e fora do país. Ademais, policiais e agentes de segurança devem passar por treinamentos, cedidos por setores federais, que os capacitem a serem mais empáticos com vítimas de diversos crimes e abusos. Além disso, a ACNUR em conjunto com os órgãos de imigração e migração mundiais deve formular cartilhas que expliquem como a empatia exercida pode favorecer para o crescimento e aprendizado de refugiados em um novo país. Apenas assim, o legado de toda uma geração inconformada com a indiferença será honrado, tanto em suas terras natais, quanto mundo afora.
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