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Doação de sangue no Brasil

Em um dos episódios da série estadunidense “Grey’s Anatomy”, é narrada a trajetória de um paciente em estado grave, cuja melhora depende de uma transfusão sanguínea, a qual ele não consegue receber devido à escassez dos estoques do hospital. Fora da ficção, sabe-se que substancial parcela da população brasileira vivencia dramas semelhantes ao do personagem em questão, enfrentando numerosas adversidades em virtude do esvaziamento dos bancos de sangue e da falta de doadores. Nesse âmbito, é crucial analisar os fatores que corroboram essa problemática.


Em primeira análise, a omissão do Estado frente à escassez de estoques sanguíneos impossibilita o cumprimento do 6º artigo da Constituição Federal de 1988. Isso, pois, a norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro garante a todos o direito irrestrito à saúde. Nesse viés, nota-se que a ausência de ações governamentais de incentivo à doação de sangue não somente dificultam a mobilização de doadores, mas também impossibilitam a asseguração deste preceito constitucional na prática. Com isso, o descaso das autoridades culmina no esvaziamento de bancos sanguíneos, o que prejudica veemente o tratamento de certas patologias, tais como a anemia falciforme.  


De outra parte, o individualismo pregado pelo filósofo Adam Smith coloca-se como um empecilho para o aumento do número de doadores de sangue. Isso se explica, pois, para o pai do liberalismo, somente a busca pelos interesses pessoais poderia levar a sociedade ao progresso. Sob esse prisma, nota-se que o egocentrismo de Smith torna a população indiferente às necessidades e ao sofrimento alheio, levando-a, por conseguinte, a se recusar a participar de iniciativas de doação de sangue. Assim, a falta de solidariedade do sujeito contemporâneo não somente colabora com o esvaziamento dos bancos sanguíneos, bem como pode levar a morte de enfermos que dependem de transfusões.


Infere-se, portanto, o Poder Público deve estimular a massa a doar sangue com mais frequência. Para tal, urge que o Ministério da Saúde promova campanhas de incentivo à doação sanguínea, por meio do custeamento do transporte de indivíduos de suas residências até os hemocentros, de modo a facilitar o deslocamento do doador e, consequentemente, mobilizar mais interessados em doar. Ademais, compete ao Governo Federal promover — mediante o uso de verbas públicas — a divulgação destas campanhas no meio televisivo e virtual, com o fito de sensibilizar a população acerca dos impactos que o esgotamento de estoques sanguíneos traz para saúde de sujeitos dependentes de transfusões. Feito isso, a trágica situação representada em “Grey’s Anatomy” não será mais uma realidade no Brasil hodierno.

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