O CUPOM VOUPASSAR35 É VÁLIDO POR: dias horas minutos segundos

Doação de sangue no Brasil

       O sociólogo Francisco de Oliveira afirma, através da Teoria do Ornitorrinco, que o Brasil é a simbiose do arcaico com o moderno, pois, apesar de evoluções, ainda enfrenta problemas que impedem seu progresso. Sob essa análise, pode-se afirmar que o déficit de sangue nos hemocentros brasileiros personifica essa afirmação, porque ainda que a transfusão seja uma técnica milenar, ela encontra obstáculos na contemporaneidade. Nesse sentido, deve-se analisar como a incompetência governamental e o individualismo constituem tais obstáculos para a doação de sangue no país.


         Em primeiro plano, é incontestável que a desregularidade das campanhas publicitárias acerca da doação sanguínea prejudica a disseminação dessa prática no país. Conforme o sociólogo Zygmunt Bauman, algumas instituições configuram-se como “zumbis” porque, ainda que tenham perdido suas funções sociais, tentam se manter a qualquer custo. Dentro dessa lógica, o Ministério da Saúde configura-se como uma instituição zumbi, pois, falha em promover campanhas publicitárias que informem aos brasileiros sobre o procedimento de doar sangue e sua importância. Por conseguinte, observa-se o crescimento do desabastecimento dos bancos de sangue nacionais. Logo, fica claro que a inoperância estatal contribui para piorar essa problemática.


        Além disso, vale ressaltar como o individualismo brasileiro representa um dos obstáculos a doação linfática. Segundo o conceito de Modernidade Líquida, de Zygmunt Bauman,  o individualismo é o maior conflito da pós-modernidade. Sob esse viés, pode-se afirmar que a comum prática de doar sangue para ajudar um conhecido entrava o harmônico funcionamento dos hemocentros brasileiros. Isso ocorre porque, muitas pessoas necessitam de transfusões sanguíneas para tratar doenças crônicas ou ferimentos emergenciais, entretanto, como a prática de doar sangue voluntariamente não é comum no país, esses indivíduos são prejudicados devido à falta de sangue. Assim, é indiscutível que o individualismo dos doadores de reposição obstaculiza o funcionamento dos hemocentros.


     Em suma, é indubitável que o Estado e o corpo social são peças fundamentais para solucionar a problemática acerca da doação de sangue no Brasil.  À luz do exposto, urge que o Ministério da Saúde junto a mídia brasileira – grande difusora de informação e principal veículo formador de opinião – promova a formação de campanhas informativas acerca dos mitos e verdades acerca da doação sanguínea, além de esclarecer a importância desse ato, com o propósito de aumentar o quantitativo de brasileiros doadores. Ademais, cabe à população policiar-se em relação às suas condutas, visando praticar atos de solidariedade, como a doação de sangue, de forma a aliviar a crise dos hemocentros brasileiros. Espera-se com isso, que o Brasil possa conciliar harmonicamente a ancianidade das transfusões com o moderno estilo de vida brasileiro.

Ver todas as redações Corrija suas redações com a nossa plataforma! Clique aqui!