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Doação de sangue no Brasil

Guerra em tempos de paz


 


Durante a Segunda Guerra Mundial, o plasma – componente sanguíneo – era bastante valioso devido a sua utilização nos primeiros socorros dos soldados feridos e pela necessidade de um grande número de doadores para manter o estoque. Entretanto, hodiernamente, mesmo em tempos de paz, o estoque brasileiro de sangue doado não é o suficiente para o tratamento dos hospitalizados. Assim, percebe-se que isso ocorre devido a inexistência de uma consciência coletiva, e pela infraestrutura centralizada e de difícil acesso do sistema atual de doação de sangue.


Em primeira análise, deve-se frisar que segundo o Ministério da Saúde, a quantidade de brasileiros que doam sangue representa somente 1,6% de toda a população. Em vista disso, percebe-se que este quadro representa diretamente os pensamentos do psicanalista italiano Contardo Calligaris, o qual afirma que a sociedade é composta por indivíduos narcisistas e que suas ações são movidas pelo intuito de se engrandecer. Dessa forma, o fato de uma quantidade expressiva da população não possuir o costume de ajudar os outros, sempre pensando somente em si mesmo, influencia negativamente na formação de uma cultura de doadores de sangue.


Ademais, também é necessário analisar que após um indivíduo ser motivado a doar, seja para reposição do sangue de algum conhecido ou para alguma pessoa aleatória, será necessário que ele passe por diversas etapas que podem dificultar o processo, como a locomoção ao hemocentro e o horário de atendimento. Assim, a pequena quantidade de pontos para doação de sangue nas cidades, bem como o horário restrito para o atendimento, torna o indivíduo cada vez mais desmotivado a doar. Logo, mesmo uma pessoa sabendo o quão importante a ação dela é, se o processo de doação for muito difícil, ela irá acabar deixando de lado.


Portanto, com base no exposto, torna-se claro a necessidade de formação de uma cultura de doares, assim como a descentralização dos hemocentros. Para tanto, o Ministério da Saúde, junto com empresas midiáticas de grande alcance, deve, por meio de repasses federais, promover uma campanha – nos âmbitos digitais e televisivos – de conscientização sobre a importância de doação de sangue, apresentando casos de pessoas que necessitaram de sangue doado e sobreviveram por terem recebido, para assim, mostrar a realidade à população. Além disso, as Secretarias Estaduais de Saúde devem utilizar seus recursos financeiros para a construção e descentralização de pontos de doação, tornando o ato de doar mais fácil. Dessa maneira, ao mesmo tempo que mais vidas serão salvas, o estoque de sangue será mais compatível com o período sem guerras que o Brasil está.

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