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Doação de sangue no Brasil

" A alegria de fazer o bem é a única felicidade verdadeira ". As reflexões do escritor Leon Tolstói demonstram a importância da solidariedade nas relações socias. Nessa conjuntura, o ato de doar sangue pode ser considerado um grande exercício de tal virtude, uma vez que uma simples doação pode salvar muitas vidas. Entretanto, essa atitude encontra obstáculos como as informações falsas acerca do processo de doação e o preconceito contra os doadores homossexuais. Nesse sentido, é urgente que se encontrem caminhos para enfrentar esssa problemática.


Em primeiro plano, cabe pontuar que a circulação de mitos sobre os métodos utilizados e as condições necessárias para ser doador são agravantes da mazela. Hodiernamente, são comuns os boatos que vinculam o ato de doar sangue com um futuro aumento do peso do doador e, ainda, com a transmissão de doenças infecciosas. Infelizmente, essas notícias falsas são impulsionadas com a popularização das redes sociais, as quais são um instrumento eficaz para a ação de usuários que visam denegrir os procedimentos de transferência de células sanguíneas. Por conseguinte, um grande número de brasileiros acreditam nessas mentiras, pois além de não possuirem um senso crítico, não recebem informações dos orgãos públicos sobre os benefícios e a segurança da doação. Logo, essas pessoas não se tornam voluntárias e, consequentemente, deixam de contribuir com elementos sanguíneos para o tratamento de inúmeras doenças, como a hemofilia.


Ademais, outro fator agravante da problemática são as restrições preconceituosas ao recebimento de doações de homoafetivos. Tais normas surgiram no contexto do surto da AIDS, no Brasil, na década de 1980, pois essa doença era mais presente entre homossexuais. Diante disso, os "gays" passaram a fazer parte do grupo de risco e, então, estabeleceu-se que eles somente poderiam doar sangue caso houvesse um intervalo de doze meses desde a última relação sexual. No entanto, atualmente, de acordo com dados do Ministério da Saúde, há maior índice de AIDS entre os heterossexuais do que entre os homoafetivos. Dessa maneira, percebe-se que as proibições devem considerar o comportamento sexual e não às questões ligadas à identidade. Dessa forma, enquanto existirem essas restrições, os hemocentros deixarão de acumular uma quantidade considerável de céluas sanguíneas que poderiam renovar e diversificar os estoques disponíveis.


Considerando, portanto, os elementos elucidados acerca da doação de sangue no Brasil, medidas tornam-se necessárias. Logo, cabe ao Poder Legislativo, em parceria com a Academia Brasileira de Medicina, mediante formação de uma comissão especializada no assunto, elaborar uma política mais abrangente e livre de preconceitos, a fim de que a identidade sexual de um indivíduo não seja obstáculo para o aproveitamento dos materias coletados. Além disso, cabe ao Ministério da Saúde, junto às escolas e às redes sociais, elaborar um projeto governamental que vise incentivar à doação de sangue, conscientizar à sociedade sobre a segurança dos procedimentos e desmentir as notícias falsas. Assim, mais brasileiros poderão se tornar voluntários e exercer as virtudes elogiadas por Tolstoi.












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