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Doação de sangue no Brasil

Na obra "Drácula", de Bram Stoker, um vampiro persegue presas humanas em busca de sangue, que faz parte de sua dieta e fonte de vida eterna. Fora da ficção, é fato que existem inúmeras pessoas que também precisam de sangue para viver, não na forma de alimento, mas como elemento indispensável para tratamentos médicos e transplantes de órgãos. Entretanto, o sistema de doação de sangue no Brasil se mostra deficitário, e isso se evidencia não só pela exclusão de grupos considerados de risco, como também pelo descaso de uma parcela da população.


É importante atentar-se, em primeira análise, ao grande número de cidadãos que são privados ou burocratizados no ato de doação sanguínea em decorrência de estigmas sociais. Homens homossexuais, por exemplo, são considerados pelo Ministério da Saúde como inaptos a doarem sangue se não estiverem ao menos 12 meses sem praticar relações sexuais, independente de portarem alguma doença transmissível ou não. Nesse contexto, além de demonstrar um pensamento retrógrado, tendo em vista que as doenças não dependem da orientação sexual para se manifestarem, essa medida representa um desperdício de aproximadamente 18 milhões de litros de sangue por ano. Sob esse ponto de vista, é evidente a necessidade de tornar o regimento de doação sanguínea brasileiro isento de perspectivas preconceituosas.


Sincronicamente, em segunda análise, é fato que não percebe-se um forte sentimento de cidadania relacionado com a doação de sangue no Brasil. Segundo Zygmunt Bauman, filósofo polonês, as relações sociais hodiernas estão inseridas na perspectiva da "Modernidade Líquida", baseadas no individualismo agudo em detrimento do coletivismo filantrópico. Dessa forma, a falta de empatia por parte de uma porção populacional significativa, em consonância com a ausência de estímulos pelo Estado, reflete no atual cenário brasileiro, ao qual a taxa de doadores, que é de 1,8%, representa menos da metade do índice considerado ideal pela ONU (Organização das Nações Unidas), que é em torno de 4%. Por conseguinte, é notória a importância de promover incentivos às doações sanguíneas.


Em suma, é mister que providências sejam tomadas para amenizar o quadro atual. Com o objetivo de intensificar a doação de sangue por meio do estímulo à sociedade, urge que o Ministério da Saúde promova, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias na televisão e nas redes sociais, difundindo a relevância desse ato para a vida de muitas pessoas que estão passando por tratamentos médicos ou transplantes de órgãos, e dessa maneira atender a incessante demanda desse produto. Somente assim, a doação sanguínea no Brasil será ampliada, proporcionando o bem estar social para muitas pessoas, que assim como o vampiro Drácula, dependem do sangue para a sobrevivência.

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