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Doação de Órgãos no Brasil

No filme americano “Uma prova de amor”, a personagem Kate enfrenta dificuldades em receber um transplante de rim, já que sua irmã Ana, gerada artificialmente para ser sua doadora perfeita, nega-se a submeter-se ao procedimento. Analogamente, não tão distante desse enredo ficcional, a sociedade brasileira também enfrenta desafios relacionados à doação de órgãos, em virtude da falta de informação e da deficiência na estrutura hospitalar.


Em primeiro lugar, é relevante pontuar que a desinformação atua no retardo do processo de transplante, de modo que afeta o principal responsável pela liberação da doação, a família. Sob essa ótica, é possível identificar a problemática em uma pesquisa feita pelo jornal “O GLOBO”, na qual foi apresentado que, somente no ano de 2018, 60% dos casos aptos para a doação são negados pela família. Isso se dá, majoritariamente, tanto pela ausência de contato direto da população com informações acerca das etapas do procedimento quanto pelo desconhecimento acerca de conceitos básicos, como o de morte encefálica. Desse modo, a incompreensão coletiva, no que diz respeito a doação, corrobora com o atraso dos indivíduos que estão na lista de espera e, consequentemente, com a redução do índice de órgãos doados – resultado da negação familiar.


Ademais, vale ainda destacar que apesar de o Brasil possuir o maior sistema de transplantes do mundo, segundo dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, o investimento no tratamento individual de cada família ainda não ganhou destaque. Isto é, o acompanhamento psicológico dos entes é de fundamental importância, visto que o choque com situações delicadas, como o falecimento do indivíduo, influencia diretamente na decisão do fim que terão os órgãos. Dessa forma, a negligência estatal para com o auxílio emocional familiar exerce função estrutural, em parte, no desenvolvimento do programa de doação do país.


Sendo assim, medidas exequíveis são necessárias para atuar na desconstrução dos entraves impostos frente à doação de órgãos no Brasil. Com o fito de formar uma comunidade informada e aumentar o percentual de doadores, é essencial que o Ministério da Saúde, órgão responsável pela saúde pública brasileira, invista na melhoria da estrutura hospitalar, por meio da implantação de psicólogos e assistentes sociais no âmbito, para dar suporte à família, e da divulgação de campanhas, em redes sociais e canais de televisão, sobre a importância da doação e as principais informações envolvidas durante o processo de doação. Logo, divergente do ano de 2018, mais pessoas terão suas vidas salvas e a comunidade brasileira caminhará, a médio prazo, em direção de um futuro mais solidário.

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