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Doação de Órgãos no Brasil

Brás Cubas, o personagem defunto-autor criado por Machado de Assis, diz em suas “Memórias Póstumas” que não teria filhos, a fim de não transmitir nenhum legado da miséria humana. Analogamente, os efeitos da modernidade líquida, que transformou as relações sociais, o qual potencializou o sentimento de individualismo, além do consequente aumento na fila para transplantes, enquadra-se no conjunto de “misérias da humanidade”, uma vez que se constituem como desafios da sociedade a serem superados para mitigar o problema da doação de órgãos no Brasil Assim, é necessário discutir os aspectos sociais e políticos da questão, em prol do bem-estar social.


Em primeiro plano, vale ressaltar o poder que as transformações sociais possuem na atual situação de doação de órgãos. Consoante à teoria da Modernidade Líquida, elaborada pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a sociedade atual é caracterizada pelo individualismo, além da diminuição dos laços interpessoais. Nessa perspectiva, há dificuldade, pelo homem atual, de reconhecer os problemas e as necessidades sociais, por exemplo, a doação de órgão. Assim, essas características favorecem o aumento vertiginoso da fila para transplantes pela diminuição de recebimento de doações por não ser visto como prioridade pela população individualista.


Por conseguinte, essa transformação social causa diversos problemas na política de saúde pública. Dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos mostram que, em média, apenas 30% das famílias autorizam a doação de órgãos de pacientes diagnosticados com morte cerebral. Com isso, a dificuldade de melhorar o atual quadro da doação de órgãos é devido ao aumento da influência global da Modernidade Líquida e o consequente acréscimo do individualismo dos pacientes e dos familiares. Dessa forma, medidas são necessárias para alterar as transformações sociais que, segundo Bauman, fomenta o aparecimento desses casos.


É evidente, portanto, diante do problema da depressão hodierno há necessidade de uma intervenção estatal. Logo, o Ministério da Educação, em parceria com o da Saúde, deve adicionar à grade curricular do ensino fundamental e médio aulas ministradas por médicos e sociólogos, para debater sobre a importância da doação de órgãos e a influência da teoria de Bauman na sociedade. Ademais, a abordagem deve ser feita com o intuito de, também, informar os responsáveis e sensibilizar o público-alvo com histórias que transplantes salvaram vidas, com auxílio de materiais didáticos sobre o assunto. Para que assim, a próxima geração cresça conscientizada sobre o assunto, a fim de, dessa maneira, amenizar a interferência da Modernidade Líquida no corpo social.


 

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