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Doação de Órgãos no Brasil

“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. De forma análoga ao trecho do poeta modernista Carlos Drummond de Andrade, percebe-se que essa pedra é um obstáculo, assim como a questão da doação de órgãos no Brasil. Por se tratar de um assunto bastante relevante, é evidente que essa problemática precisa ser analisada de maneira mais séria nos dias atuais. Nesse contexto, há dois fatores que não podem ser negligenciados como a recusa da família perante a doação de órgãos e má ineficiência do Estado em promover conscientização efetiva.
Em primeira análise, cabe observa que ainda há resistência por parte dos familiares em permitir a doação dos órgãos dos entes após o diagnóstico de morte. Essa resistência, de acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), está bastante associada a motivos éticos e religiosos e ao desconhecimento acerca do significado de morte cerebral e ao desejo de doação do paciente quando em vida. Desse modo, milhares de pessoas morrem enquanto esperam por um órgão, sobre isso, dados do Ministério da Saúde revelam que cerca de 1150 pacientes que necessitavam de transplantes morreram no primeiro semestre de 2017. Assim, é necessário que essa incompreensão seja combatida para que mais vidas possam ser salvas.
Ademais, convém frisar que escassez de programas de Governo que promovam a conscientização sobre o processo e a importância da doação, complicam o engajamento da sociedade brasileira ao tema. Dessa forma, conforme disse o escritor Gilberto Dimenstein, só existe opção quando há informação. Diante disso, percebe-se que o Estado não criou mecanismos eficientes, para incentivar a doação de órgãos, ajudando aqueles que buscam por um transplante ao risco de não conseguir por falta de um doador.
Parafraseando Drummond, para que se retire as pedras do meio do caminho, portanto, são necessárias ações. É imprescindível que as famílias dialoguem sobre a questão da morte e possibilidade de doação, expondo suas vontades por escrito, para que sirva de suporte à possíveis futuras decisões de doação de órgão. Além disso, é essencial que o Governo Federal, através dos Ministérios da Educação e da Saúde, devem promover um programa nacional de incentivo à doação de órgãos, em parceria com secretárias estaduais e municipais, a fim de informar quanto aos aspectos e procedimentos relacionados a essa prática.Com tais implementações, o problema pode ser uma mazela passada na história brasileira.

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