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Doação de Órgãos no Brasil

 Em 2018, a celebridade internacional Selena Gomez, portadora da doença autoimune Lúpus, passou por um transplante de rim e teve sua vida salva. Essa situação, extremamente repercutida no cenário "pop" atual, fortaleceu a discussão a respeito da doação de órgãos no mundo. Entretanto, no Brasil, a questão ainda é vista como um desafio, devido, sobretudo, à falta de informação da população e à infraestrutura deficitária do país.


      De fato, a ausência de informações adequadas sobre a doação e o transplante de órgãos entre a população torna tal prática dificultosa no Brasil, uma vez que a comunidade, ao desconhecer o processo e seus benefícios para a vida humana, não doa. Segundo a lei brasileira, a família é responsável pela decisão de doar ou não órgãos de um determinado paciente que veio a óbito. Nesse sentido, a principal barreira para a efetivação da doação é encontrada no seio familiar que, geralmente, enfrenta dilemas éticos e, até, religiosos, quanto ao processo, sobretudo, atrelados à desinformação (quanto a morte cerebral, por exemplo). Isso pode ser observado nos dados divulgados pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) que mostram que, em 2015, seis mil pacientes foram diagnosticados com morte encefálica, mas que apenas 30%, tornaram-se doadores, isto é, tiveram a doação autorizada pela família. Desse modo, nota-se a necessidade de informar a população quanto a importância de doar órgãos.


    Ademais, a infraestrutura deficitária quanto a remoção e ao transplante de órgãos no país também torna a doação um desafio, visto que leva a perda de inúmeros órgãos doados. Segundo a ABTO, no último semestre de 2015, 71% dos órgãos doados no Brasil não puderam ser utilizados por conta da ausência de um sistema de captação e armazenamento eficiente. Tal cenário onera o processo de doação e transplante de órgãos, tornando-o, muitas vezes, inviável e prolongando, consequentemente, a espera de pacientes necessitados. Nessa perspectiva, seguindo o principio constitucional de garantia à saúde publica de qualidade, é dever do Estado investir na melhoria do aparato médico-hospitalar para doação de órgãos no Brasil.


   Portanto, o Governo Federal, através do Ministério da Saúde, deve fornecer acesso à informação a população, por meio de campanhas de conscientização que esclareçam o processo de doação e enfatizem sua importância no salvamento de vidas, a fim de romper com a aversão a doação de órgãos presente no país e mobilizar a comunidade a ser doadora. Além disso, o Estado deve investir na infraestrutura para doação e transplante de órgãos, por meio da criação de unidades de saúde especializadas na remoção, transporte e armazenamento dos órgãos doados, a fim de diminuir as perdas e aumentar a efetivação dos transplantes no Brasil.

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