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Doação de Órgãos no Brasil

                                                       Medicina da caridade


  No filme "O Físico", que se passa na Idade Média, um jovem estudante de medicina tem seu anseio por conhecimento barrado pelos dogmas religiosos vigentes que criminalizavam a dissecação, pois a confundiam com a necromancia. Alguns séculos após esse período, com o advento da Revolução Científica, seguiram-se diversos avanços nas áreas do saber, entre elas a anatomia humana. Atualmente no Brasil, possibilitada por esses estudos, a doação de órgãos, procedimento cirúrgico capaz de salvar vidas por meio da solidariedade de outras, encontra-se incapaz de atingir seu máximo potencial por conta da desinformação alicerçada na fé individual e da precariedade na logística de manuseio e de transporte de peças.


  Em primero lugar, desde uma alteração legislativa recente, a permissão para transplante de órgãos cabe aos familiares do doador em potencial, o que se demonstra uma barreira para a efetuação do tratamento de milhares de pessoas segundo a Associação Brasileira de Trasnplante de Órgãos. Isso se deve à atitude tomada com mais frequência pelos entes do indivíduo morto, os quais, baseados nas próprias emoções e crenças, tornam-se empecilhos no salvamento de brasileiros que aguradam na fila de espera. No entanto, tal noção religiosa, utilizada para negar a doação, não encontra embasamento nos princípios de nenhuma das religiões monoteístas, uma vez que essas instiruições compatilham da virtude da caridade, a qual obtem respaldo tanto nos ensinamentos de Jesus quanto nos de Maomé. Dessa forma, fica evidente a necessidade de parâmetros éticos coletivos como instrumento de decisão nessas ocasiões, de modo que volte a vigorar preceitos técnicos prescritos na constituição.


  Simultaneamente, o manejo incorreto de órgãos doados contribui, significativamente, para a menor eficiência nos transplantes, haja visto que essas peças orgânicas necessitam de condições específicas para a realocação, pois são extremamente vulneráveis às modificações ambientais conforme a ABTO. Além das especificidades materiais e tecnológicas; como recipientes climatizados, veículos seguros e ferramentas esterilizadas, há a falta de infraestrutura determinante para a manutenção da viabilidade do órgão ainda no corpo do doador. Por conseguinte, em muitos casos, assim que a equipe de remoção chega para efetuar o procedimento, o elemento já não possui condição para ser incorporado a outro organismo. Desse modo, é imprescindível que haja investimento nessa área da saúde a fim de não se desperdiçar nem a solidariedade do indivíduo doador, nem a vida de quem aguarda tratamento.


  Diante do exposto, denotam-se os empecilhos para a maximização do potencial da doação de órgãos em salvar vidas no Brasil. Portanto, faz-se necessário que o Poder Legislativo, por meio da comunicação direta com os anseios de milhares de pacientes hospitalizados à espera do transplante, propor a mudança na legislação sobre a permissão para o procedimento, tirando-a da alçada dos familiares para o Estado, uma vez que tal dilema torna-se uma questão de saúde pública, no intuito de aumentar a quantidade de doadores. Ademais, cabe, ao Ministério da Saúde, a tranferência de recursos orçamentários para reformas na infraestrutura e na logística desse processo, por via do redirecionamento de capital apreendido em esquemas de corrupção. Dessarte, a medicina exerceria seu propósito primordial: salvar vidas.  

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